A conquista não é pela festa, montagem, expositores, mas pela atividade que representa, a indústria de veículos e de autopeças. Hoje, quarto mercado do mundo, óptica internacional o vê como amostra desta atividade, reflexo da saúde econômica do país, liderança continental em cenário de expansão crescente.
Internacionalmente o Salão brasileiro cresceu de posição no quadro das mostras mundiais. Agora é B+, uma linha superior, abaixo apenas dos salões de Frankfurt, Paris, Genebra.
Boa medida para mensurar a importância foi a realização pela Volkswagen de workshop sobre Economia Brasileira, Sustentabilidade e VW na América do Sul, com direito a palestra de Henrique Meirelles ex-presidente do Banco Central no governo passado. A Volkswagen, em crescimento sustentado e superior a seus concorrentes, quer ser a maior montadora do mundo em 2018, e cuida de seu projeto institucional pelo esclarecimento aos vetores formadores de opinião. Trouxe 150 jornalistas especializados dos mercados de seu interesse, Europa, Ásia, Américas para dar-lhes uma aula de Brasil – ou justificar numericamente porque o Brasil é a bola da vez em investimentos.
À noite fez festa descontraída, a Group Midia Night, com depoimento dos executivos maiores de sua dezena de marcas, e a presença da imprensa internacional. A VW só a realiza antes das três mostras europeias e incluir o Brasil é dar aviso mundial de relevo. Tratou o negócio como o faz na Europa em eventos onde vai sua diretoria maior. No caso, para ser à prova de erros, traz tudo da matriz: recepcionistas, crachás, clips, fitas adesivas, coordenadores, 150 pessoas vindas da Alemanha para a montagem e o rolar das festas, incluindo o amplo estande da marca no Salão. Nele, dizia-se, apenas a montagem teria custado R$ 40 milhões. Outra medida mais ampla, nesta edição haviam CEOs, presidentes, vices mundiais, sem trocadilho pobre, em quantidade industrial.
A 27a. Edição durará até o 4 de novembro e espera receber 700 mil visitantes. Para freá-los neste número e evitar desconfortos e problemas relativamente às áreas de circulação, subiu preços. Aos domingos a entrada custa inacreditáveis R$ 80, muito superior às outras mostras famosas. Nos outros dias, quando a frequência é naturalmente menor, baixa o valor da entrada.
Novidades que interessam
Para nós o interesse maior é a produção local das novidades estrangeiras, única esperança de elevação tecnológica e de fuga ao processo de correr atrás do rabo, como tem sido os produtos nacionais, no mais das vezes carrocerias modificadas ou novas sobre base mecânica antiga. É a fórmula Mercosul.
Primeiro anúncio de projeto industrial foi de motocicleta, da italiana Ducati, caprichosa compra pela Volkswagen, a ser montada em Manaus pela Dafra, montadora multimarcas. No Salão, no estande da Ford, a Triumph Bonneville de montagem recém-iniciada na Zona Franca.

Ducati, italiana, performática, em Manaus.
Tantas novidades, pouco espaço, a Coluna faz uma tabela do que vem por aí, e se dedicará posteriormente a maiores detalhes sobre produto e sua industrialização.

Importados
A nova regra automobilística brasileira permite cotas de importação a quem aprovar projetos ou a importadores. A estas 4,8 mil unidades, bastantes aos de pequenas vendas, mas de insubsistência e ameaça de inviabilização a importadores de volume, como a Kia. As autorizações isentam do pagamento dos discutíveis 30 pontos adicionais ao IPI.
Novamente muitos chineses, a ser vistos com cautela, grupamento de muitas promessas e poucos resultados. De marca, a Jaguar deixa de ser representada pelo grupo SHC – que trouxe a marca ao país – sendo substituída pelo escritório da fábrica Land Rover Jaguar.
O que virá por aí

Protótipos foram exibidos e com grande chance de serem produzidos no Brasil. O Mercedes Classe A sedã, surpreendente em sua conformação, dimensões e motorização 1.6 FSI turbo, e o Taigun, nome para lembrar o bom Tiguan VW. Será a versão pequeno utilitário esportivo da VW, montado sobre a plataforma do UP!, de surgimento breve. O Taigun deve ter produção iniciada aqui.

Jimny, goiano de Catalão, produção piloto iniciada.

Gol 2 portas.

Mercedes Classe A sedã presta atenção ao futuro.

Taigun. Apresentação no Brasil sinaliza produção local.

Novo de novo, o Fiesta Sedã será feito no Brasil.
Novo Fiat 500 Cabriolet resgata o passado
A Fiat começará a vender novidade como o pico do charme de seu rol de produtos: o modelo 500 em versão conversível, Cabriolet, como o chama. Teto acionado eletricamente, para em duas posições, opcional também em cores, preto ou vermelho a caminho do bordô. Combinado com o branco perolizado, há poucos objetos tão simpáticos e atrativos.
O teto removível é tão adequado ao desenho e à pretensão mercadológica do 500 no Brasil, ser um veículo diferenciado, que sugere ter sido o projeto original para automóvel conversível, ao qual se fez um teto rígido. Apesar do raciocínio, não é. Nasceu com teto fixo e a versão descapotável é desdobramento.
É novidade, mas não é inovação. No caso, demonstração de coerência. O 500 é a interpretação, a conceitos atuais, de um ícone da marca e um de seus sustentáculos, inspirado em seu perfil e relendo as formas dos detalhes constitutivos – cores, formato do painel de instrumentos, lanterna de placa.
Mais espaço interno, mandatórias atualizações em conforto e segurança, e o motor não é, como o original, bicilíndrico deslocando apenas 500 cm3, mas um moderno 1.400 cm3 com 100 cv de potência, colocado na transversal.
O teto solar também existia no inspirador, o cinquecento original, nos anos 50. Era, coerentemente, de movimentação manual, tecido emborrachado, e cumpria a mesma função – aumentar a integração com o meio ambiente.

Fiat 500 Cabriolet, releitura do ícone.