Em nosso primeiro encontro perguntei-lhe o que esperava atingir no final do programa. Ele me indicou que precisava ter certeza se a hora de deixar a empresa havia chegado. Queria flertar com a possibilidade de um recomeço profissional. Juntos, procuramos os sinais que ele mesmo havia deixado na estrada.
Para nossa próxima sessão, sugeri como lição de casa, que revisitasse seu passado, pessoal e profissional, para que pudéssemos avaliar como ele se comportou diante dos desafios que a vida lhe impôs. A segunda reunião foi mais emocional. Ele se empolgou com o exercício. Disse que foi fundo e se deliciou com suas memórias e que escreveu mais do que julgaria possível quando o provoquei.
Ao lermos sua biografia ficou claro que ele já havia superado muitas dificuldades. Todas deixaram marcas e fazem parte de sua personalidade. Não foi difícil convencê-lo que era um vencedor. O que estava faltando era um pouco de reflexão sobre tudo o que já havia superado. Uma reflexão guiada, pois se há algo difícil de fazer é conseguir ser imparcial quando o assunto somos nós mesmos.
Como o jogador de futebol no centro do campo, a visão de nossas vidas, apesar de ampla, é feita de nosso próprio referencial. Mas se alguém olhar de um nível mais elevado verá outras ‘jogadas’. Ao apresentá-las ao protagonista, ele tem totais condições de buscar a melhor para seus dilemas. Sempre me emociono quando encontramos as respostas e podemos iniciar o desenho do plano de vida de meus clientes. A energia é enorme. Assim fizemos. Nossos dois encontros posteriores foram altamente criativos e profícuos.
No final meu cliente me surpreendeu. Foi além! Criamos o plano B e ele gostou tanto que criou o C. Ficou convencido que apesar da importância de conhecer o mercado, o que realmente interessa são seus objetivos, suas competências e o que esta fazendo para chegar lá. Entendeu que tudo o que fez até hoje o capacitou para seguir e ir além, no seu próprio emprego ou em outro lugar.
Ao ousar desvestir o terno corporativo e buscar ajuda, entendeu que seu corpo podia vestir outros, e iniciou sua busca por um modelo mais confortável. Se vai encontrá-lo ou não ele ainda não sabe. Mas já percebe as habilidades necessárias para sua escolha. Se optar pelo atual, saberá que era seu número e poderá com uma clareza sem precedentes, seguir seu caminho na empresa onde esta. Se encontrar um novo, poderá usá-lo sem saudades do velho. E já percebe que a busca é muito mais ampla do que o plano profissional. Precisa ampliar seus horizontes no plano físico, emocional, social e espiritual.
Despertou!
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Ivan Witt
28 de julho de 2010