
A indústria automotiva está acelerando a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, mas enfrenta desafios por falta de recursos que transformem compromissos e metas em ações concretas.
A conclusão é da “Pesquisa sobre Aderência aos ODS no Setor Automotivo”, realizada pelo IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) e divulgada nesta sexta-feira, 22.
O levantamento foi feito com 118 profissionais de montadoras, fábricas de autopeças, distribuidores e empresas de serviços.
Os dados mostram que 52% das empresas têm metas vinculadas aos ODS, no entanto, 47% afirmam não destinar recursos financeiros para ações, o que evidencia um descompasso entre planejamento e execução.
No país, a agenda ganha tração por causa de pressões de cadeias globais e exigências internacionais.
Segundo a pesquisa, 79% das empresas já possuem planos relacionados aos ODS, seja em estágio formal, em desenvolvimento ou em discussão. No entanto, apenas 19% contam com orçamento específico para essas iniciativas.
Quais ODS são prioridade para a indústria automotiva
Entre os temas prioritários para o setor automotivo estão: consumo e produção responsáveis (ODS 12), trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8) e energia limpa e acessível (ODS 7), além de saúde e bem-estar (ODS 3) e igualdade de gênero (ODS 5).
O IQA aponta que os objetivos ligados ao desempenho ambiental ganharam mais relevância devido às exigências do mercado. Com isso, entre as empresas que possuem certificações ambientais, 82% têm a ISO 14001, principal norma internacional de gestão ambiental.
Segundo o levantamento, a tendência é de aumento da demanda por rastreabilidade, transparência e validação de indicadores ESG, especialmente em cadeias globais de fornecimento.
A pesquisa aponta ainda que 67% das empresas afirmam já perceber benefícios com a adoção dos ODS, sendo que 40% relatam resultados claros e tangíveis.
Investimento é principal desafio para consolidar avanços
Com o descompasso entre ações e investimento, o diretor-superintendente do IQA, Alexandre Xavier, avalia que o principal desafio para o setor é transformar o engajamento com a agenda de sustentabilidade em investimentos estruturados e iniciativas capazes de gerar resultados mensuráveis no longo prazo.
“As empresas já reconhecem que a sustentabilidade impacta diretamente sua competitividade. O avanço agora depende de investimento, definição de indicadores e governança capaz de sustentar resultados mensuráveis”, afirmou.
A pesquisa do IQA conta com patrocínio da ElringKlinger do Brasil e parceria institucional da Abipeças-Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).