
No Brasil esse conceito econômico ainda engatinha por excessos de intervenção regulatória e alta burocracia. Atividades colaborativas prosperam graças aos aplicativos (apps) para telefones inteligentes. Compartilhar está em curso para caronas e aluguel de carros.
Tudo começou há cinco anos com o app da empresa americana Uber focado, de início, exclusivamente em dar e receber caronas. Romantismo do passado deu lugar a algo mais organizado e seguro. Braço esticado e polegar para o alto, gesto quase universal e ainda aplicado, passou a negócio por meio do telefone móvel. O segundo passo estimulou o caroneiro a contribuir com as despesas.
Transformar carona em serviço alternativo de transporte gerou a ira de taxistas ao redor do mundo. O app foi teoricamente banido em algumas cidades por serviço ilegal na visão de críticos. Uma saída poderia ser taxar a atividade. No Brasil, alvará de táxi vale até R$ 200 mil e se enquadra como bem de herança, algo mais absurdo que o Uber, além da isenção de impostos do veículo.
Caronas, porém, se popularizam no Brasil. Há pelo menos cinco aplicativos: BeepMe (200 mil usuários), Tripda (opção de uso apenas por mulheres e 60 mil usuárias), Ponga (semelhante ao de chamada de táxi, mas caronas), Zumpy e Carona Fácil. Até o popular programa de rotas Waze (comprado pelo Google) testa, em Israel onde nasceu, o aplicativo RideWith (Rode Comigo) que limita a duas viagens por dia e pretende diminuir veículos nas ruas.
Em São Paulo, o fleety.com.br oferece a qualquer proprietário de automóvel cadastrar e alugar o veículo por curtos períodos. O site se intitula a primeira rede de carros compartilhados do Brasil. Oferece seguro, lida com eventuais multas, controla combustível gasto e a pontuação forma reputação de locador e locatário. Empresas de locação, que também alugam por hora, teriam aí um concorrente parecido a Uber versus taxistas.
A economia colaborativa pode diminuir o mercado de veículos novos e usados, embora ainda não se estimem eventuais perdas. Por outro lado, automóveis passariam a rodar mais e gerar manutenção. Impulso para fabricantes de autopeças, pneus, lubrificantes, combustíveis e uma longa cadeia de serviços.
Que todos se preparem. A onda deve chegar.