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Mês do Orgulho LGBTI+: 7 fatos sobre a causa no setor automotivo

Se o seu feed nas redes sociais não ficou mais “colorido” em junho, é hora de seguir mais pessoas e empresas que apoiam a causa LGBTI+. Em comemoração ao dia Dia do Orgulho LGBT, em 28 de Junho, as empresas – inclusive as do setor automotivo – promovem ações internas e em seus canais de comunicação para reforçar seu posicionamento em prol da causa da diversidade de gênero e de orientação sexual.  
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natalia

13 jun 2022

5 minutos de leitura

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Apesar da inclusão de profissionais LGBTI+ ainda estar longe de ser prioridade no segmento, as montadoras e as demais empresas da cadeia de valor têm se esforçado. Em dois anos, o setor passou a mensurar a presença desses colaboradores e aumentou as ações afirmativas e políticas internas para pessoas com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero.

Com base nas duas edições do estudo de Diversidade no Setor Automotivo (2019 e 2021), feito por Automotive Business com coordenação técnica de MHD Consultoria, listamos 7 fatos sobre o tema LGBTI+ no segmento:

1- Mais empresas desenvolvem ações para pessoas LGBTI+

Em 2019, apenas 35% do setor automotivo tinha programas ou ações voltadas ao acolhimento e inclusão de pessoas LGBTI+. Em 2021, o número subiu para 69%, sendo que a maioria desenvolve iniciativas pontuais e, portanto, não têm projetos maduros.

Apenas 22% das empresas contam com programas estruturados e é o pilar da diversidade que menos recebe atenção se comparado demais (Gênero, Pessoas com Deficiência (PcD), Etnia e Gerações).

2- Setor adota compromissos para promoção de direitos LGBTI+

Nesta semana, a Ford se tornou a 3ª montadora a participar do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, ao lado da Stellantis e da Renault, pioneira em 2020.

As empresas assinam os 10 compromissos do Fórum para o ambiente corporativo, que inclui desde a contratação de talentos LGBTI+ até ações e grupos de afinidade para apoiar políticas, diretrizes e garantir o direito dos colaboradores.

Criado em 2013, o Fórum conta com 150 empresas, incluindo grandes companhias de mobilidade e da indústria, como Arcellor Mittal, Continental, Lear, Basf, 3M, Gerdau, TE Connectivity,  Shell, Dow, Eaton, Usiminas, Uber e Localiza.

3- Faltam metas e diretrizes internas para o tema

Mapear colaboradores LGBTI+ ainda é um desafio para as empresas automotivas, o que reflete na falta de dados, metas e diretrizes sobre esse grupo e dificulta a criação de ações afirmativas.

Em metade do setor não há diretrizes ou metas para atrair e promover colaboradores LGBTI+, número um pouco menor que em 2019, quando o tema era deixado de lado por 65% das empresas. Na liderança, o cenário é mais desanimador: apenas 5% das empresas têm metas de participação de profissionais LGBTI+ nessas posições.

 

4- Atração de talentos precisa crescer

Nos últimos anos, mais empresas automotivas passaram a oferecer programas de estágio com foco em diversidade. Mas ainda há resistências. Apenas 26% do setor têm parceria com plataformas de empregos e de recrutamento profissionais LGBTI+, como a Basf, que junto com a Transemprego atraiu talentos transgênero para áreas como comunicação, vendas e produção.

5- Inclusão de pessoas trans é desafio

A inclusão de pessoas trans ainda é um grande desafio para o setor automotivo, desde a contratação até políticas inclusivas. Dentro das políticas internas para pessoas LGBTI+, o uso do nome social por esses indivíduos, direito garantido pela legislação brasileira, foi o mais citado, mas não é cumprido nem por metade das empresas.  

Outra barreira no setor é o acolhimento, ainda há muito preconceito e pouca educação sobre pessoas transgênero, como contam colaboradores trans. Por isso, é importante que as companhias criem um ambiente seguro e inclusivo para essas pessoas, desde acabar com a discriminação até oferecer apoio e/ou psicológico a processos de redesignação de gênero, realidade em apenas 19% do setor.
 

6. Famílias LGBTI+ têm pouco apoio das empresas

As empresas automotivas ainda oferecem pouco apoio para as famílias LGBTI+. Desde 2011, o Brasil reconhece a união homoafetiva.

Em 2019, 24% garantiam direitos iguais a casais LGBTI+ em relação às licenças e benefícios parentais, sendo que apenas 13% contam com políticas especiais para os diferentes formatos de famílias, como a Ford.

Ainda raro no setor, o apoio jurídico ou médico a processos de adoção ou fertilização é oferecido por 10% das empresas, o que mostra que há esforços para ir além das políticas familiares exigidas pela lei.

 

7. Causa ganha espaço na publicidade

Se dentro do setor a inclusão de pessoas LGBTI+ é desafiadora, da porta para fora a resistência é mais evidente. Em junho é comum as empresas adotarem logos com as cores da causa LGBTI+ nas redes sociais ou divulgarem posts em apoio à causa para reforçar seu posicionamento em prol da diversidade.

No mês passado, uma publicidade do novo Polo da Volkswagen viralizou na internet após ser alvo de comentários homofóbicos. A foto mostrava dois rapazes abraçados em frente ao carro e a legenda divulgava as novidades do modelo.

Após a polêmica, diversos internautas defenderam a VW e a busca pelo novo Polo aumentou 31% no Mercado Livre, crescendo também no Google. A empresa rebateu às críticas e reforçou seu posicionamento em prol da causa LGBTI+, o que mostra que ainda que desagrade parte dos clientes, há empresas automotivas comprometidas com a transformação do setor

Em 2019, a Shell inovou ao estrelar um vídeo publicitário com uma caminhoneira transgênero, Afrodite, que contou como se assumiu mulher depois de viver a maior parte da sua vida como homem. O vídeo fazia parte da série publicitária “De Causo em Causo” que divulgava histórias inspiradoras de motoristas de caminhões pelo Brasil. Naquele ano, a Shell empresa venceu uma premiação que reconhece influencers engajados com a causa LGBTI+.