
Para contribuir com essa lição de casa, um verdadeiro desafio enfrentado pela cadeia há anos, com um respiro em poucos momentos, Keese apresentou as prioridades para os fornecedores. No que diz respeito ao crescimento, o novo regime automotivo, anunciado em abril passado, que exige maior conteúdo local na produção de veículos, aliado à demanda por componentes com tecnologia específica, e à chegada de novos players evidenciam investimentos na capacidade produtiva.
Para ser produtivo com eficiência, é necessário compensar os custos de mão de obra, manter as estruturas indiretas enxutas e definir estratégias de localização, fugindo do alto custo de produção dos centros tradicionais. “É preciso investir em automação, no desenvolvimento de tecnologia local, tornar-se mais competitivo, inclusive para enfrentar a concorrência dos novos fornecedores, que chegam com as montadoras”, enfatizou.
Há várias ações que garantem o crescimento com eficiência, segundo Keese. Identificar oportunidades no mercado, por causa da exigência do conteúdo local; desenvolver estratégia brasileira de P&D com foco em capacidade/competência; estabelecer times multifuncionais para identificar melhorias na eficiência; investir em equipamentos mais rápidos e produtivos; implementar programas de melhoria contínua, utilizando técnicas de Lean e Kaizen; promover mudança cultural e intensificar treinamentos de qualificação profissional; terceirizar alguns departamentos, como contabilidade, folha de pagamento e logística; entre tantas outras medidas.
PLANEJAMENTO EM CONJUNTO
As medidas sugeridas não são nenhuma grande novidade. Falar e escrever são atividades simples. O difícil é tirar do papel. Por isso, Keese reforçou a importância do Governo, por meio de incentivos e programas de investimentos que favoreçam o crescimento com competitividade, com vistas ao médio e longo prazo. Essa atuação passa por ações efetivas, que reduzam o tão elevado custo Brasil, reclamado há décadas. “Em 2006, a mão de obra no setor representava 17% do custo de produção. Atualmente, 27%. O valor do aço é o maior do mundo”, lembrou o consultor, ficando apenas em dois itens, de uma lista considerável.
O cenário interno é favorável, com previsão de PIB em alta, inflação sob controle e taxa de juros em baixa, nos próximos anos. É preciso um planejamento melhor definido, criado em conjunto entre governo e indústria, para garantir a competitividade do Brasil no segmento. Sendo mais competitivo, atrai mais investimentos das matrizes, que incrementam a competitividade. Surge, assim, um círculo virtuoso.
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