Por esses números ainda temos muito chão pela frente para crescer. Entre os problemas estão a rapidez de crescimento líquido da frota (descontado o sucateamento) e a falta de infra-estrutura viária, tanto urbana como rodoviária. É comum indicar o ritmo de emplacamento de veículos novos – fácil de obter –, sem ao menos estimar o que sai de circulação. Na realidade, existe descontrole oficial da frota. Isso falseia dados sobre mortos e feridos em proporção aos veículos em circulação, pintando um quadro menos grave que o real.
Segundo o Sindipeças, 62% da frota total é de veículos pequenos e com tendência a crescer. Interessante verificar que, no mundo, os carros pequenos estão avançando, estimulados pelo preço alto do combustível e a ânsia em adquirir o primeiro automóvel. Ocorre agora um debate mundial em torno do tema. Grandes fabricantes estão de olho no emblemático Tata Nano, minicarro indiano. Anunciado por apenas US$ 2.500 (pouco mais de R$ 4.000,00), deve alcançar com impostos e margens de venda cerca de R$ 5.000,00, quando estrear no segundo semestre.
Há dúvidas se um carro bastante despojado e de aparência frágil, como o Nano, teria mercado no Brasil. Muitos acham que, ao contrário da Índia, o comprador consideraria um retrocesso em relação ao que já existe aqui. Outros imaginam um nicho razoável de explorar. Os impostos, porém, atrapalham muito. O primeiro automóvel chinês começa agora a ser vendido. O Changhe M100, subcompacto de quatro portas importado pela Effa Motors, por R$ 23.000,00, tornou-se o mais barato disponível (Mille duas-portas, R$ 23.500,00).
A estratégia da Effa parece cautelosa, evitando assustar a concorrência. Primeiro lote de apenas 400 carros vem com vários mimos: ar-condicionado, CD player, vidros dianteiros elétricos, alarme, farol de neblina. O motor Suzuki de 1.000 cm³ tem apenas 47 cv, antevendo desempenho fraco apesar do baixo peso. Há planos de produção no Uruguai, mas não se sabe se o imposto de importação de 35% já está sendo absorvido pelo fabricante por conta (carros produzidos no Mercosul não pagam).
Hoje existe uma corrida mundial aos carros pequenos alternativos. VW, Toyota, GM, Renault, Fiat, Chrysler e outros estão alinhados, alguns com protótipos exibidos em salões. Nem todos serão baratos: sem imposto de importação, ficariam na faixa de R$ 30.000,00. Resta ver como o Brasil entrará nessa disputa, ainda por definir.
Alta Roda nº 470
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30 de abril de 2008.
SCHMALL: CAPACIDADE DE ATENDER A DEMANDA
O presidente da VW, Thomas Schmall, concorda com a tese da coluna: mais do que as novidades, importa ter capacidade de atender a demanda por novos carros. Cenário atual está tão pressionado que, para segurar participação de mercado, vale tudo: importar mais, exportar menos, deslocar produção para a Argentina. Mesmo quem possui capacidade livre, como a Renault, ainda deve brigar pelas peças (Fernando Calmon, Alta Roda, 30 de abril).
ENGENHARIA ELEVA TORQUE DOS MOTORES VW
Bom trabalho de engenharia de motores é o maior destaque da linha VW 2009, lançada quatro meses antes da época tradicional. Filosofia está correta. Tanto o motor de 1 litro, como de 1,6 litro (agora com 12,1 de taxa de compressão) exibem até 8% de aumento de torque. Permitiu alongar a transmissão e, em conseqüência, mais silêncio no habitáculo, além de previsível diminuição de consumo (Fernando Calmon, Alta Roda, 30 de abril).
TOLERÂNCIA ZERO COM O ÁLCOOL
Finalmente, o Congresso aprovou a dosagem zero de álcool no sangue. Na prática, o motorista terá que esperar no mínimo uma hora para cada lata de cerveja ou dose de destilado ingerida, antes de dirigir, mas não convém arriscar. Ao mesmo tempo, a proibição de venda de bebidas alcoólicas ficou definitivamente restrita apenas às estradas federais rurais. Exceções acabariam desmoralizando a lei (Fernando Calmon, Alta Roda, 30 de abril).
A EMPREITADA OUSADA DA COSAN
Quem diria que um produtor de álcool poderia adquirir uma rede de postos de uma multinacional petrolífera… Pois a Cosan, maior empresa brasileira do setor de biocombustíveis, arrematou toda a cadeia Esso no Brasil. Começa com 7,2% de participação no mercado total e se estranha que não houvesse ocorrido mais cedo. Teremos álcool mais barato nesses postos? (Fernando Calmon, Alta Roda, 30 de abril).
MINICÂMARA DA VALEO AUMENTA SEGURANÇA
A Valeo prepara-se para oferecer brevemente, no mercado brasileiro de acessórios, uma minicâmera com quatro funções: duas vigiam manutenção de trajetória e as outras filmam cenas de acidentes e a presença de movimento à frente. Preço estimado na faixa de R$ 500,00.