A Ilha Ecológica ocupa 20 mil m2 da área da planta e funciona como uma indústria de acondicionamento de materiais para serem entregues a empresas parceiras que farão a reciclagem. O único material que passa pelo processo de reciclagem na própria fábrica é o isopor, usado principalmente para embalar os motores recebidos na linha de montagem.
As placas de isopor são trituradas, recebem um choque térmico e ganham peso para melhor seguir no processo de fundição do material. O formato final do é granulado e ele se transforma em poliestireno, que será usado para a construção de vários produtos: calçados feminino, materiais de escritório, brindes, canetas etc. Só não volta a ser isopor. O processo reduz em 50 vezes o volume do isopor, o que já justifica o processamento na própria fábrica, uma vez que diminui drasticamente o custo do transporte para uma empresa de reciclagem. Mesmo que o material fosse levado para o aterro sanitário (o que não é proibido), a transformação do isopor em poliestireno contribuiria para o aumento da vida útil do aterro.
Todos os demais materiais não aproveitados na produção são destinados a terceiros para reciclagem fora da fábrica. Mesmo os refugos que vão à Cooperárvore – um dos projetos do programa social Árvore da Vida de moradores do bairro Jardim Teresópolis – são processados numa área externa construída pela Fiat, mas administrada pela cooperativa. Ali, cintos de segurança com defeito e materiais de forração de bancos e painéis são transformados numa linha completa de bolsas e carteiras.
Além dos tradicionais “três Rs” que simbolizam a sustentabilidade de materiais: Reduzir, Reutilizar e Reciclar – a Fiat introduziu mais dois Rs, o Rejeitar e o Recuperar. O Rejeitar pressupõe uma avaliação de todo material oferecido pelos fornecedores e a rejeição daqueles que poderão gerar resíduo no processo de produção. O Recuperar prevê o uso de todo e qualquer resíduo para a geração de energia, o que garante o objetivo do projeto de dar destino zero ao aterro sanitário.
Outro pilar da sustentabilidade em Betim é a estação de tratamento, que recupera nada menos do que 99,4% da água empregada na produção e também a utilizada nos sanitários e na cozinha industrial, índice atingido em outubro de 2015 e que custou R$ 4 milhões de investimento para recuperar esse 0,4 ponto porcentual a mais. Nada mal considerando que a recuperação média nesse tipo de tratamento não passa de 60%, conforme Cristiano Felix, gerente de meio ambiente, saúde e segurança do trabalho da Fiat Chrysler para a América Latina.
Ele explicou que o próximo salto na recuperação da água usada em Betim é a implantação da osmose reversa, que vai permitir alto índice de qualidade na água tratada. Dois tipos de tanques, o industrial (com água proveniente da pintura e da mecânica) e o orgânico, formam a estação de tratamento de água com sistemas de flotação e de decantação. Há cinco anos a empresa investiu R$ 12 milhões com a implantação de tecnologias para melhorar o tratamento dos efluentes, ampliando o índice de água recirculada de 92% para 99%. Em 2014, o investimento foi recuperado com a economia da água que deixou de ser captada em quatro anos.
O terceiro pilar de Sustentabilidade da fábrica de Betim é o Projeto Girassol, que testa placas orgânicas para a captação de energia solar instaladas numa frota de 25 unidades do Uno que circulam dentro da fábrica e na região de Belo Horizonte. O objetivo é captar e utilizar a energia solar no abastecimento do veículo, diminuindo o consumo de combustível. Uma placa é instalada no teto do carro e capta a luz do sol e a energia elétrica gerada é usada para atender o consumo com o ar-condicionado, a central multimídia, os vidros-elétricos e outros sistemas do carro.
Diferentemente das placas fotovoltaicas utilizadas em casas ou centrais de geração, que são pesadas e rígidas, as placas orgânicas dos carros da FCA produzidas pelo Centro Suíço de Mecânica e Microtécnica, em Belo Horizonte, são flexíveis e podem colher dados em condições reais de uso.
“Com o projeto Girassol, queremos aumentar a conversão de energia solar por metro quadrado de filme, mensurar os benefícios da aplicação dessa tecnologia em automóveis para os consumidores e criar um modelo de industrialização e comercialização da tecnologia”, diz Toshizaemom Noce, supervisor de inovação da FCA.
Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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