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Paulo Ricardo Braga, AB
“O governo fala, promete e não faz. Esses programas não vão em frente.” E emendou: “Quando a gente sabe onde quer chegar é mais fácil planejar e realizar as coisas. Aqui não se planeja nem organiza nada”, disparou Ozires Silva, ao avaliar a eficácia dos novos programas de incentivo à competitividade que o governo prepara. Para ele, seria preciso políticos da estatura de Juscelino Kubitschek para levar o País adiante.
Engenheiro aeronáutico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e piloto da Força Aérea Brasileira (FAB), Ozires ajudou a criar a Embraer (em 1970) e presidiu a empresa por 20 anos. Foi presidente da Petrobras, da Varig e ministro de Estado da Infraestrutura. É escritor, professor e participa de instituições de pesquisa e ensino. Com essa experiência ele fala de cátedra sobre questões nacionais, incluindo algumas que o afligem.
Assuntos relacionados à aeronáutica, por exemplo, trazem a ele tanta alegria como aborrecimentos. Ele explica (e pergunta): “Como entender que uma empresa como a Embraer comercialize no exterior 97% da sua produção de aviões comerciais? Por que os aviões são bons para os Estados Unidos e outros países e não para nossas companhias de aviação?”
O caso da Embraer leva a outros, como a indústria automobilística, que deve importar quase um terço dos carros emplacados no Brasil este ano. “A saída para o País é ganhar eficiência e ser competitivo. Como a Embraer. Com a globalização as empresas têm de ganhar competência e valorizar a inovação. Não haverá fronteiras e barreiras tarifárias. É preciso entender as mudanças e avançar nessa direção”, pondera.
Queria ouvir mais sobre o que a experiência de Ozires diz a respeito do momento crucial para seu futuro que o Brasil atravessa. Mas tive de interromper pela metade a entrevista engatilhada na quinta-feira, 14, durante a abertura da 14ª Feira Internacional de Aeronáutica. Apesar da disposição dele em falar sobre seus temas preferidos, como a Embraer e a inovação, é difícil para Ozires atender uma só pessoa em seu habitat natural, em São José dos Campos, onde ainda é muito popular e querido, após dedicar grande parte da carreira à Embraer.
Depois de ceder a vez para jornalistas, fotos com admiradores e um convite para visita a estandes, tratei de apressar o bate-papo com o principal personagem da feira de aviação, que é atualmente reitor da Unimonte, entre outras dezenas de afazeres institucionais. Mas não deu para ir muito além. Em poucos minutos, Ozires completou a agenda com novos compromissos, depois de posar ao lado de um exemplar do Volare, avião fabricado em Bauru. Ele checou a performance do protótipo, gostou e prometeu visitar o engenheiro e dono da companhia na próxima visita à cidade do interior paulista. Um profissional do setor aeronáutico, entusiasmado ao ver o executivo, pediu fotos com o filho, enquanto um representante do consulado francês o convocava para uma reunião no estande. Entendi, então, que era hora de encerrar a entrevista.