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P&D, o diferencial brasileiro

Nos estertores de 2005 a UNCTAD – United Nations Conference on Trade and Development – publicou seu World Investment Report 2005, abordando o tema “Transnational Corporations and the Internationalization of R&D”, que talvez passasse despercebido dos executivos do setor automotivo.
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Redação AB

06 jan 2006

2 minutos de leitura

O relatório está em www.unctad.org/en/docs/wir2005overview_en.pdf mas, se não estás interessado no relatório de 50 páginas do levantamento global desse tema, eis um breve sumário executivo:

1) As 10 localidades mais atraentes para negócios globais:
– Segundo as empresas transnacionais: China, Índia, EUA, Rússia, Brasil, México, Alemanha, UK, Tailândia e Canadá;
– Segundo os especialistas: China, EUA, Índia, Brasil, Rússia, UK, Alemanha, Polônia, Singapura e Ucrânia.
Ou seja, estamos entre as 5 primeiras preferências mundiais.

2) As 10 economias líderes em gastos em P & D:
No mundo todo: EUA, Japão, Alemanha, França, UK, Coréia, China, Canadá, Suécia e Itália; sem surpresas aqui, mas na lista das Economias em desenvolvimento: Coréia, China, Taiwan, Rússia, Brasil, Singapura, México, Turquia, Hong Kong e Chile, vemos que investimos só 20% do que Coréia e China estão fazendo há anos!

Num adendo desse mesmo relatório (Box IV.9) meia página é dedicada à GM do Brasil, descrevendo a trajetória do centro de Pesquisa e Desenvolvimento brasileiro desde sua criação na missão de tropicalizar os veículos, dos anos 60 aos 80, até a mudança do seu escopo, no fim da década de 90, de enfoque local para global. Hoje o P&D brasileiro compete com as afiliadas da GM na Europa, Ásia e Estados Unidos pelo direito de projetar e construir veículos. VW, Fiat e Ford também mereceriam um destaque similar nesse relatório, pois também operam assim, mas não foram mencionadas.

Mesmo sabendo que várias das autopeças transnacionais adotaram essa mesma estratégia e já afloram no cenário global de suas matrizes, e que algumas autopeças brasileiras dedicam muito de seu esforço nesse mesmo sentido, eu gostaria de ressaltar que somente através de muita P&D as empresas brasileiras (transnacionais ou locais) poderão se diferenciar da China e da Índia, na disputa por investimentos. Não que seremos uma Alemanha (vis-à-vis preços brasileiros), mas algum diferencial de preço haveremos de justificar…

Hugo Ferreira – [email protected] – www.hugoferreira.com.br