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P7, sem prorrogação e sem escanteio

Os caminhões brasileiros já passaram pelas pistas de testes e bancos de prova e garantiram que estão prontos para sair das linhas de montagem, a partir de janeiro, obedecendo as regras de emissões expressas na resolução do Conama para P7, baseadas nas correspondentes Euro 5, para caminhões e ônibus. Haverá diesel limpo para abastecer os veículos, embora isso vá acontecer aos soluços, com um avanço progressivo na oferta pelos postos de combustível de todo o País. E o redutor Arla 32, necessário para o sistema de tratamento dos gases de escape liquidar os óxidos de nitrogênio, também estará disponível, especialmente nos pátios das transportadoras e nas garagens de ônibus.
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Redação AB

31 mai 2011

4 minutos de leitura

Tudo isso ficou claro no Debate sobre Diesel e Emissões, que a Anfavea promoveu na segunda-feira, 30 de maio, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo, reunindo a maioria dos atores envolvidos na transição de Euro 3 para Euro 5. A ANP pouco acrescentou ao que já se sabia. Sérgio Fontes, consultor de negócios da Petrobras, não disse absolutamente nada sobre o que podemos esperar para o preço do diesel limpo, o S50, necessário para uma boa digestão nos motores. Frederico Kremer, gerente de negócios da Petrobras, já havia garantido a disponibilidade de diesel limpo em janeiro e informado a Automotive Business, pouco antes do evento, que o preço só sairá na véspera de chegar às bombas.

O enrosco na área de distribuição do diesel ficará por conta da indisposição dos donos dos postos de combustível em investir para implantar tanques e bombas destinados à oferta do novo diesel S4 que, nos primeiros meses de 2012, terá ainda poucos clientes. Será que eles vão esperar o mercado esquentar para investir?

A ANP não parece disposta a aceitar essa indisposição e já conversou com as entidades que representam os postos de combustível. Ricardo Hashimoto, diretor da Fecombustíveis, explicou que os postos não são obrigados a tomar a iniciativa desejada pela ANP, embora reconheça a sua importância. A ANP retrucou: tem poder de fogo para convencimento, mas espera que da negociação saia a solução.

Achille Liambos Jr., diretor da Yara, um player poderoso global no segmento de Arla 32, garante que não faltará o produto à base de ureia para limpeza dos gases de escape, transformando óxidos de nitrogênio em nitrogênio e água. A empresa recorrerá ao suprimento de plantas na Europa e também aos fornecedores locais, a Petrobras, em Camaçari, e a Vale Fertilizantes, no Paraná. Haverá concorrentes, como a Tirreno, de Diadema, e a Cummins, que também fabrica motores e sistemas de pós-tratamento. A Basf, forte na Europa, decidiu ficar fora do negócio para trabalhar no segmento de catalisadores e filtros para particulados.

Há pressões de todo lado para não haver qualquer marcha-à-ré no programa. Ninguém admite uma semana de adiamento no prazo fatal para P7 entrar em vigor. Para o governo, a Anfavea, a ANP, a Petrobras e outros atores, a efetividade do programa virou questão de honra, depois do fiasco na passagem de Euro 3 para Euro 4 (que não aconteceu). Essa foi uma das razões para a Anfavea tomar a iniciativa de promover o Diesel e Emissões em Debate, ouvindo de cada um o status das providências necessárias. Todos deram sinal verde para P7.

O que falta agora é convencer os postos de combustível, ainda que oferecendo algum incentivo para o investimento, esperar que não haja uma crise de soluço muito forte no suprimento de diesel S50 a partir de janeiro e que se dissemine muita informação a respeito do programa de emissões. Gilberto Leal, gerente de desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz do Brasil, deixou o alerta a respeito: o mercado está à espera de esclarecimentos consistentes sobre P7, em todas suas vertentes.

Neuto Reis, diretor da NTC&Logística, concorda com Leal: faltam ainda muitos parâmetros para resolver a equação na mesa dos operadores de transporte, que serão os grandes usuários dos caminhões, do diesel limpo, do Arla 32, dos postos de combustível. Com tantas incógnitas no ar, não há como fechar até a uma planilha de custo do caminhão e das despesas operacionais. Os fabricantes de caminhões acenam com indicador: o preço do veículo vai crescer cerca de 10%. E acreditam que o IPI fica mesmo na lona, igual a zero.

O estádio do Corinthians vai ficar pronto na véspera da Copa. Será que o setor de caminhões terá que enfrentar o jogo semelhante, aos 45 minutos do segundo tempo na transição da legislação de emissões? Temos que deixar tudo para a última hora no Brasil? Pelo menos, ainda existe toda chance de evitar prorrogação e não chutar para escanteio o esforço da maioria dos players que já cumpriram seu papel para atender o programa do Conama.