De acordo com Kupfer, a mudança exige que setores que geram mais renda cresçam mais do que outros. “É necessário que se abram oportunidades para tirar as pessoas que trabalham em uma ocupação que gera pouca renda e levá-las para uma ocupação de maior sofisticação”, afirmou o assessor do BNDES. Ele disse ainda que o Brasil tem melhorado, mas não consegue fazer com que os melhores setores ganhem peso na estrutura produtiva.
Na visão dele, a solução é investir em capacidade de inovação, para que as atividades de maior valor agregado cresçam de forma mais rápida. “Há relação entre esforço de inovação e Produto Interno Bruto (PIB) per capita.”
Kupfer afirmou que as empresas brasileiras estão ainda muito preocupadas em buscar a competitividade, mas devem atentar para a geração de novas competências que, no longo prazo, geram resultados sustentáveis.
CRISE DURADOURA
O economista prevê que a crise internacional será duradoura. “Não vai ser uma crise de três ou cinco anos, mas de uma década ou mais. Ao fim dela, teremos um mundo radicalmente diferente.” Para Kupfer, a crise financeira acelera a queima dos ativos em todo o mundo que estão se tornando “obsoletos”. O conceito de ativo, para ele, abrange práticas de negócios, qualificação profissional e geografia de produção, entre outros.
“Os ativos novos ainda não estão consolidados e estamos num grau de incerteza muito grande. Parece que a incerteza vai ser mais duradoura do que em outras fases críticas.” Ele disse ainda que, enquanto há um desencontro entre os novos e os velhos ativos, a disposição para testar o novo vai “ser a chave da sobrevivência” tanto para os negócios como para as economias. “O novo precisa ser testado e isso envolve riscos e apostas.”