
Os países da União Europeia buscam atrasar a entrada da legislação Euro 7, que estabelece níveis de emissão de gases poluentes na Europa. As informações são do site Automotive News.
Oito países da UE – incluindo França e Itália – opuseram-se às regras mais rigorosas, argumentando que os fabricantes de veículos já estão sob pressão para cumprir a proibição de vendas de novos automóveis emissores de CO2 em 2035, para reduzir os gases com efeito de estufa.
Investimentos altos em motores Euro 7
A UE reforçou progressivamente os limites de emissões dos veículos rodoviários desde o primeiro conjunto de regulamentos, conhecido como Euro 1, em 1992.
Os fabricantes europeus dizem que o Euro 7 – previsto para entrar em vigor a partir de 2025 – é caro e os ganhos ambientais são insignificantes.
O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, disse que as propostas devem deixar os carros mais caros, limitando a liberdade de circulação das famílias mais pobres.
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A Espanha, que detém a presidência rotativa da UE, espera apresentar o projeto de compromisso no Conselho de Competitividade na próxima semana, mas os países ainda não chegaram ao acordo, disseram fontes diplomáticas.
No projeto apresentado pela Espanha, os prazos de implementação de meados de 2025 para automóveis e meados de 2027 para caminhões seriam adiados.
Os países que pressionam para enfraquecer os limites do Euro 7 expressaram preocupações sobre “a capacidade de desenvolvimento significativa e o investimento necessário, além do que já está sendo investido na eletrificação”, disse o documento preliminar.
Pressão das montadoras
O grupo de lobby de Transporte e Meio Ambiente, com sede em Bruxelas, criticou o projeto, dizendo que os países “cederam às ameaças das montadoras… condenando as pessoas a problemas de saúde evitáveis e à morte prematura nas próximas décadas”.
“Nesta nova proposta da Presidência espanhola: os limites de emissões para automóveis foram enfraquecidos”, informou o T&E na quarta-feira.
A decisão de suavizar as regras de emissões ocorre num momento em que a inflação elevada e a preocupação com o custo da reforma verde estimulam uma reação europeia contra a velocidade da transição.
O ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, disse que a UE deveria abandonar o padrão Euro 7, pois custaria às montadoras europeias “dinheiro inútil” num momento crucial de transição.
Reino Unido adia data limite para motores de combustão
O Reino Unido adiará a proibição vendas de carros novos movidos à gasolina e a diesel para 2035, disse o primeiro-ministro Rishi Sunak, ao definir o que chamou de “nova abordagem” para combater as mudanças climáticas.
“Vamos facilitar a transição para veículos elétricos. Você ainda poderá comprar carros e vans a gasolina e diesel até 2035”, disse Sunak. “Mesmo depois disso, você ainda poderá comprá-los e vendê-los de segunda mão.”
Sunak disse esperar que a grande maioria dos veículos vendidos no Reino Unido devem ser elétricos até 2030, sem intervenção governamental, devido à queda dos custos.
“Pelo menos por enquanto, deveria ser você, o consumidor, quem faz essa escolha, e não o governo que o força a fazê-lo”, disse ele.