
As primeiras conclusões do estudo foram divulgadas durante o Fórum AB Diversidade, que aconteceu nesta semana, on-line (veja aqui). O levantamento, que será divulgado integralmente em outubro, foi realizado com 84 empresas de todos os portes e setores, sendo a maioria fabricantes de autopeças (39%) e montadoras de veículos (26%).
Para 56% das empresas, o home office ajudou a quebrar barreiras e trazer mais engajamento para as pautas sobre gênero, etnia, Pessoas com Deficiência (PcD), gerações e LGBTI+. Para 31%, o home office não teve impacto nas ações de diversidade, e apenas 3% das empresas disseram que o trabalho remoto dificultou a promoção do tema.
Os resultados, no entanto, ainda são tímidos. O número de mulheres dentro do setor em relação aos homens encolheu de 20% para 19% entre 2019 e 2021. Outra diferença é que as mulheres estão mais escolarizadas: 30% delas têm nível superior, enquanto os homens apenas 19%. São 10% as mulheres com nível de especialização, enquanto apenas 6% dos homens estão no mesmo patamar de escolaridade. Apesar de mais preparadas, poucas chegam aos cargos mais altos.
Pouca diversidade na liderança
Nos cargos de liderança a participação feminina é ainda menor: apenas 18% no total. Elas estão em cargos de direção (16%), presidência (12%) e conselho (16%). As pessoas negras têm apenas 5% de representatividade na liderança e PcDs somente 0,6%.
Em relação aos colaboradores negros e negras o funil hierárquico mostra que há representação mínima na gerência (8%), direção (6%), presidência, vice-presidência ou conselho (3%), mas a maior parte dessa população está concentrada em cargos de estagiários, trainees ou quadro funcional.
Diversidade com foco na base
Apesar da presença na liderança ainda ser escassa, um índice positivo é que, no quadro geral, houve aumento da participação de pessoas pretas dentro das organizações. Em 2019, eram apenas 9,8% dos colaboradores e em 2021 esse número subiu para 14,6%. A mudança pode ser reflexo de programas de entrada exclusivos para negros e negras adotado por diversas empresas, como a Renault, a Lear e a General Motors.
“Vimos a oportunidade de trazer mais profissionais negros para ampliar a diversidade no mercado de trabalho. Consideramos as questões históricas raciais, assim como a bagagem de vida de cada pessoa, como isso dificultou ou facilitou a chegada do indivíduo até ali”, contou a líder de Diversidade, Equidade & Inclusão da Lear Corporation, Elaine Reis, durante o Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo.