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Para ABVE, consumidor pagará a conta caso haja mudança de regras para veículos eletrificados

Presidente da entidade, Ricardo Bastos diz estar seguro de que governo federal vai manter cronograma de aumento do imposto de importação para elétricos e híbridos até 2026
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Lucia Camargo Nunes

03 out 2024

3 minutos de leitura

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Durante o painel dos CEOs, que encerrou o Automotive Business Experience 2024 – #ABX24, cinco CEOs de montadoras e o presidente da Anfavea debateram como a mudança da tão defendida previsibilidade no setor pode afetar a competitividade. Do lado de fora, a ABVE, que representa os interesses dos veículos eletrificados, criticou no mesmo tom.

Em meio a discussões sobre transição energética e a necessidade de aumentar a localização de componentes durante o debate final do #ABX24, o crescimento das importações, sobretudo dos veículos chineses, preocupa a Anfavea.


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O presidente da entidade, Marcio de Lima Leite, já faz meses que defende um aumento imediato do imposto de importação (que só chegaria a 35% em 2026) diante de um alto volume de carros entrando no Brasil, gerando aumento expressivo de estoques e com repercussões no mercado.

Único representante da nova safra de chineses neste painel, Diego Fernandes, COO da GWM, disse que qualquer mudança nas regras fere a previsibilidade. 

Leite retrucou: “Quando essa regra foi feita, nós não tínhamos 80 mil veículos em estoque como nós temos hoje de importados. Então, o Brasil precisa reagir para preservar 1 milhão e 200 mil empregos e R$ 130 bilhões de investimentos.” 

ABVE critica eventual mudança nas regras dos eletrificados

Do “lado de fora”, a ABVE entende que a chegada de novas tecnologias transforma o mercado. Como consequência, montadoras focadas em motores de combustão tiveram de reduzir preços.

“Regras claras e transparência, é isso que a gente sempre defende, previsibilidade”, afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE. “Temos segurança pelo nosso contato com o governo, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, de que o cronograma vai seguir o que foi traçado, e que os 35% de Imposto de Importação só serão cobrados em julho de 2026.”

Bastos chama a atenção para toda a cadeia que investe em elétricos, grandes redes de postos de combustíveis que ampliam a infraestrutura de recarga e fornecedores que se mobilizam para produzir baterias no Brasil. Além disso, uma das associadas da ABVE, ele cita, já habilitada no Mover, promete ser uma das primeiras a produzir veículos plug-in no país dentro do programa.

Desde julho, os carros elétricos passaram a pagar 18% do Imposto de Importação, os híbridos plug-in (PHEV) 20% e os híbridos (HEV), 25%. Apesar disso, Bastos afirma que o ritmo de vendas está ótimo, com expectativa de fechar o ano acima de 150 mil eletrificados emplacados, crescimento de 60% sobre o ano passado.

Mesmo sendo mais caros, os híbridos plug-in representam 70% do mix de modelos. “Isso mostra o consumidor experimentando a tecnologia e querendo cada vez mais. Nós estamos falando de carros muito mais equipados, com muito mais tecnologia, toda a parte de segurança, de diversão dentro dos multimídias, mais conectados. A gente sente que o cliente quer isso.”

O presidente da ABVE admite que há uma agressividade em preços, não só de marcas chinesas como europeias, com veículos que passam a competir com nacionais flex.

“Esta é a questão. O consumidor é atraído pelo preço de um carro eletrificado, bem acabado e conectado. Vimos um movimento, desde o ano passado com a chegada de mais híbridos e elétricos, de queda de preço, principalmente dos veículos a combustão de categorias similares, o que significa que o Brasil estava com o overprice”, sustenta Bastos.

Para o executivo, uma eventual antecipação do imposto ou cobrança acima do que já foi decidido e elevação do preço dos eletrificados vai impactar o cliente final. “Os veículos a combustão vão subir também, pode ter certeza disso. Quem pagará a conta será o consumidor.”