
Durante o painel dos CEOs, que encerrou o Automotive Business Experience 2024 – #ABX24, cinco CEOs de montadoras e o presidente da Anfavea debateram como a mudança da tão defendida previsibilidade no setor pode afetar a competitividade. Do lado de fora, a ABVE, que representa os interesses dos veículos eletrificados, criticou no mesmo tom.
Em meio a discussões sobre transição energética e a necessidade de aumentar a localização de componentes durante o debate final do #ABX24, o crescimento das importações, sobretudo dos veículos chineses, preocupa a Anfavea.
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O presidente da entidade, Marcio de Lima Leite, já faz meses que defende um aumento imediato do imposto de importação (que só chegaria a 35% em 2026) diante de um alto volume de carros entrando no Brasil, gerando aumento expressivo de estoques e com repercussões no mercado.
Único representante da nova safra de chineses neste painel, Diego Fernandes, COO da GWM, disse que qualquer mudança nas regras fere a previsibilidade.
Leite retrucou: “Quando essa regra foi feita, nós não tínhamos 80 mil veículos em estoque como nós temos hoje de importados. Então, o Brasil precisa reagir para preservar 1 milhão e 200 mil empregos e R$ 130 bilhões de investimentos.”
ABVE critica eventual mudança nas regras dos eletrificados
Do “lado de fora”, a ABVE entende que a chegada de novas tecnologias transforma o mercado. Como consequência, montadoras focadas em motores de combustão tiveram de reduzir preços.
“Regras claras e transparência, é isso que a gente sempre defende, previsibilidade”, afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE. “Temos segurança pelo nosso contato com o governo, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, de que o cronograma vai seguir o que foi traçado, e que os 35% de Imposto de Importação só serão cobrados em julho de 2026.”
Bastos chama a atenção para toda a cadeia que investe em elétricos, grandes redes de postos de combustíveis que ampliam a infraestrutura de recarga e fornecedores que se mobilizam para produzir baterias no Brasil. Além disso, uma das associadas da ABVE, ele cita, já habilitada no Mover, promete ser uma das primeiras a produzir veículos plug-in no país dentro do programa.
Desde julho, os carros elétricos passaram a pagar 18% do Imposto de Importação, os híbridos plug-in (PHEV) 20% e os híbridos (HEV), 25%. Apesar disso, Bastos afirma que o ritmo de vendas está ótimo, com expectativa de fechar o ano acima de 150 mil eletrificados emplacados, crescimento de 60% sobre o ano passado.
Mesmo sendo mais caros, os híbridos plug-in representam 70% do mix de modelos. “Isso mostra o consumidor experimentando a tecnologia e querendo cada vez mais. Nós estamos falando de carros muito mais equipados, com muito mais tecnologia, toda a parte de segurança, de diversão dentro dos multimídias, mais conectados. A gente sente que o cliente quer isso.”
O presidente da ABVE admite que há uma agressividade em preços, não só de marcas chinesas como europeias, com veículos que passam a competir com nacionais flex.
“Esta é a questão. O consumidor é atraído pelo preço de um carro eletrificado, bem acabado e conectado. Vimos um movimento, desde o ano passado com a chegada de mais híbridos e elétricos, de queda de preço, principalmente dos veículos a combustão de categorias similares, o que significa que o Brasil estava com o overprice”, sustenta Bastos.
Para o executivo, uma eventual antecipação do imposto ou cobrança acima do que já foi decidido e elevação do preço dos eletrificados vai impactar o cliente final. “Os veículos a combustão vão subir também, pode ter certeza disso. Quem pagará a conta será o consumidor.”