
A presença feminina no setor automotivo ainda é pequena, mas as mulheres que, a duras penas, conquistaram espaços de relevância, agora trabalham para abrir portas e puxar os novos talentos femininos.
O tema foi um dos painéis do #ABX24 – Automotive Business Experience que reuniu Maria Paula, atriz, mestre em saúde mental e fundadora da Embaixada da Paz; Paula Braga, CEO da Automotive Business; e Vanessa Simões, consultora de RH da VSX Pessoas.
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Elas compartilharam suas experiências no mercado de trabalho e ressaltaram como movimentos como o grupo Uma Sobe e Puxa a Outra podem gerar resultados relevantes. O grupo foi criado em 2022 por altas executivas, diretoras e CEOs de diversos setores.
Neste ano, elas lançaram o livro “Rise and Raise Others – Real Life Stories From Inspiring Women” (disponível aqui) que reúne 80 depoimentos sobre a vida e a carreira de mulheres que chegaram no topo. Participam da obra a atriz Maria Paula e a CEO Paula Braga.
Presença feminina: a tartaruga do setor automotivo
Nos últimos anos, a presença feminina cresce lentamente no setor automotivo: apenas 21% da força de trabalho vem de mulheres. Entre 2021 e 2024, por exemplo, a presença delas na média gestão subiu de 15% para 28%. Na alta gestão foi mais tímido: de 7% para 10%. Os dados são da Pesquisa AB Diversidade, com coordenação da MHD Consultoria.
Ainda que o crescimento seja pequeno, cada novo talento feminino e cada vitória merecem ser comemoradas, acredita a CEO da AB, Paula Braga.
“O cenário era muito pior trinta anos atrás. Quando fundamos a AB não tinha nenhuma mulher trabalhando no setor, nos eventos, na liderança ou nos palcos”, lembrou. “E hoje no ABX24 é o ano em que mais temos mulheres no palco e na plateia.”
Essa mudança é resultado de um esforço coletivo do setor automotivo em colocar a diversidade na agenda e adotar políticas mais diversas e inclusivas para tentar diminuir a desigualdade entre homens e mulheres.E esse processo inclui “quebrar tetos de vidro”, como diz Vanessa Simões.
“A gente forma mulheres que na empresa, mas elas não ascendem por muitas diferenças. Como quebrar esse teto de vidro? Puxando o RH e diretores para dizer, por exemplo, que as mulheres devem ser avaliadas como os homens porque muitas vezes elas recebem feedback sobre comportamentos, enquanto eles recebem sobre produtividade.”
Mulheres precisam estar unidas
Agora que mais mulheres estão no mercado de trabalho, é preciso dar espaço para que elas cresçam. E, para isso, a profissionais femininas precisam estar unidas e se apoiarem dentro do ambiente corporativo.
“Somos vítimas de uma sociedade que nos rivaliza o tempo todo. As mulheres são poderosas quando andam juntas, e isso não interessa para a sociedade. Já os homens se defendem, mesmo em situações que não deveriam. Não deveríamos cair nesta armadilha”, afirmou Maria Paula.
A CEO da Automotive Business concorda. “A mulher quando é tocada pela sororidade, espalha sementes. Às vezes precisamos de referências femininas, mas quando chegamos lá e nos tornamos a referência precisamos abrir portas e dar protagonismo para outras mulheres”, disse Paula Braga.