
-Veja aqui os dados da Anfavea
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Segundo ele, a retomada econômica é essencial para aquecer a demanda por veículos. De janeiro a agosto as vendas encolheram 23,1%, para 1,34 milhão de unidades. O executivo destaca a performance do mercado interno no mês passado como um dos sinais do momento de recuperação. “Foi o melhor resultado do ano.” Houve leve avanço de 1,4% na comparação com julho, para 183,8 mil emplacamentos, entre automóveis comerciais leves, caminhões e ônibus. Sobre o mesmo mês do ano passado o resultado foi 11,3% inferior.
MAIS DIAS ÚTEIS, MENOR MÉDIA DIÁRIA
Megale admite que o aumento na comparação mensal foi puxado pelo maior número de dias úteis, já que a média diária de vendas encolheu. Em julho o ritmo de emplacamentos foi de 8,6 mil veículos/dia, patamar que caiu para 7,9 mil unidades/dia no mês passado. “Poderíamos ter alcançado resultado melhor”, reconhece. Segundo o presidente da Anfavea, a demanda por carros novos foi afetada pelos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, terceiro maior mercado do Brasil, atrás de São Paulo e Belo Horizonte. “As vendas diminuíram 14% na cidade.”
Os emplacamentos da capital mineira também foram menores do que o esperado. O motivo foi um feriado no dia 15 de agosto. As vendas de pesados seguem ainda mais contraídas, com tombo de 6,1% nas entregas de caminhões na comparação com julho e apenas 4,4 mil unidades negociadas. O segmento de ônibus registrou redução maior, de 28,5%, para 1,2 mil chassis.
Uma boa notícia de agosto foi a redução do nível de estoques, que seguia elevado nos últimos meses. O número de carros armazenados nas fábricas e concessionárias caiu 4,8% na comparação com julho, para 211,4 mil unidades. O volume corresponde a 34 dias de vendas, dois a menos do que no mês anterior. Os estoques menores, no entanto, são resultado muito mais da queda na produção do que de um eventual aumento na demanda do mercado. A interrupção da operação nas fábricas da Volkswagen provocada pela quebra no fornecimento de componentes do Grupo Prevent é o principal motivo.
EXPECTATIVAS
Megale defende que algumas mudanças são imprescindíveis para que esta seja, efetivamente, a hora da virada. Uma delas é a polêmica reforma da Previdência, debatida há anos, mas ainda sem solução. Outro ponto importante para a entidade é o debate das questões trabalhistas. “O acordado entre empresa e trabalhador deve prevalecer sobre o legislado”, defende o executivo, que apoia também a terceirização, controversa medida que está em debate no governo que, se aprovada, pode permitir que atividades-fim sejam feitas por funcionários não contratados diretamente pelas montadoras, por exemplo.
Enquanto a nova situação política não se consolida, a Anfavea sustenta a expectativa de que o ano vai terminar com queda de 19% nas vendas de veículos na comparação com 2015, com 2,08 milhões de emplacamentos. “Ao longo de 2017 devemos ter recuperação mais consistente”, projeta.
Assista abaixo à cobertura exclusiva da ABTV sobre o desempenho do mercado:
