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Para as mulheres, privacidade é o maior incentivo ao uso de carro particular

Pesquisa sobre mobilidade mostra que assédio ainda é uma realidade presente no transporte público
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Redação AB

12 mar 2021

2 minutos de leitura

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A maior parte das deslocamentos das mulheres em grandes cidades brasileiras acontece com transporte público – 50% delas usam ônibus para se locomover, porcentual que cai para 42% no público masculino. Apesar da alta adesão feminina, o assédio nestes deslocamentos ainda é apontado como algo muito presente no dia a dia delas. Diante disso, para o público feminino o desejo por privacidade é o maior incentivo ao deslocamento com carro particular.

As conclusões são da pesquisa Mobilidade e as Mulheres, feita pela Younder, startup de treinamentos para empresas, e o Instituto Mobih, organização de incentivo à mobilidade. O estudo, que combina dados quantitativos levantados a partir de entrevistas com 203 brasileiras, além de reunir estatísticas de diversas pesquisas prévias, traça um panorama das dificuldades e desafios que as mulheres enfrentam no Brasil.

Segundo o estudo, o porcentual de mulheres donas de veículos é baixo: elas respondem por apenas 14% da propriedade de automóveis e 10% das motos. Dentre as que usam carro, 40% justificam que preferem o veículo para manter sua privacidade, enquanto o motivo prioritário entre os homens (45% dos entrevistados) é ter mais controle sobre a chegada e a saída.

O desejo das mulheres por mais privacidade fica mais do que justificado quando analisados os dados sobre assédio levantados na pesquisa. Das entrevistadas, 97% afirmaram que já passaram por situações de assédio sexual no transporte coletivo, por aplicativo ou em táxis. Além disso, 71% do público feminino relata ter uma conhecida que já sofreu assédio em algum espaço público.

Entre as respondentes, 40% afirmaram viver em residência com carro. Nesses lares, no entanto, o homem fica com o veículo na maioria das oportunidades (55%). Destes condutores que detêm a maior parte do uso do carro, 68% têm relações conjugais com as entrevistadas, enquanto os demais (32%) são parentes.

A pesquisa ainda traz dados sobre acidentes. Contrariando preconceitos sexistas, apenas 29% dos acidentes são causados por mulheres. Elas também recebem menos multas, 30%. Já os homens são responsáveis pela maioria das infrações de trânsito (70%) e das vítimas em acidentes com morte (82%).