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Para CEO da Uber, maior concorrência da empresa é com o carro próprio

Dara Khosrowshahi conta que a companhia mapeia os hábitos de mobilidade das pessoas para entender quais novos serviços pode prestar
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Giovanna Riato

22 mar 2024

2 minutos de leitura

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Dara Khosrowshahi tem clareza sobre qual é a grande concorrência da Uber no mercado: a propriedade do carro. O CEO da companhia falou a respeito no SXSW – South by Southwest, principal festival de inovação do mundo, realizado na cidade texana de Austin, nos Estados Unidos. “Precisamos entender como transformar a propriedade em soluções sob demanda”, diz.


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O executivo aponta que o esforço constante da empresa é mapear os hábitos de mobilidade das pessoas e identificar como oferecer serviços nessa jornada. “Além das corridas, olhamos para a possibilidade de aluguel de carros por períodos mais longos, por compartilhamento de viagens e para soluções de micromobilidade”, diz, citando a parceria que a companhia mantém com a Lime nos Estados Unidos para compartilhamento de patinetes.

A ambição da Uber, conta o CEO, é por ampliar cada vez mais o ecossistema de soluções que a companhia oferece. O parâmetro para definir isso é encontrar serviços que sejam parte do cotidiano das pessoas, coisas recorrentes e habituais.

Cliente não quer pagar por mais sustentabilidade 

Khosrowshahi compartilhou a experiência que a companhia acumulou nos últimos anos com veículos elétricos, com a tentativa de reduzir a própria pegada de carbono e, com isso, gerar valor aos consumidores. A meta é a neutralidade em carbono em 2030 nos Estados Unidos e, em 2040, no resto do mundo.


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No Brasil, inclusive, a Uber oferece a opção de viagens carbono neutro por um valor adicional ao consumidor. Segundo o próprio CEO, essa é uma fórmula pouco promissora. “O cliente não quer pagar mais caro por soluções sustentáveis, ele sente que essa oferta é uma obrigação das empresas ou do poder público”, diz.

Carro elétrico melhora experiência na Uber 

Por outro lado, a experiência dos passageiros com carros elétricos, que não emitem CO2 no escapamento, tem se mostrado melhor do que a com veículos a combustão. Nos Estados Unidos, a empresa tem acordos para que os motoristas da plataforma comprem carros elétricos por preços mais baixos. Na Tesla, por exemplo, o desconto é de US$ 2 mil.

“Temos grande investimento de US$ 800 milhões para fomentar a adoção de veículos com a tecnologia”, diz. Segundo Khosrowshahi, os condutores da Uber são o melhor caminho para ampliar a eletrificação, já que passam cinco vezes mais tempo ao volante do que pessoas comum. Outra medida de incentivo à adoção da solução na plataforma é pagar um valor mais alto por corrida aos motoristas que têm carros elétricos.

Enquanto incentiva a tecnologia nos Estados Unidos, no Brasil, a Uber não tem qualquer movimento nessa direção. Nesse sentido, a empresa fica atrás da concorrente 99, que criou a Aliança pela Mobilidade Eletrificada.