

O desequilíbrio entre a presença feminina e masculina na liderança das organizações não é um problema específico da indústria automotiva. Entre as empresas que atuam na distribuição de veículos há desafio equivalente. Gabriela Teixeira de Carvalho é uma das exceções dentro deste contexto.
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Aos 32 anos, ela é diretora comercial e de marketing do Grupo Newland, que controla 25 concessionárias nos estados do Ceará, Piauí e Paraíba, de marcas como Toyota, Jeep, Mercedes-Benz, Jaguar Land Rover e Porsche. “O segmento automotivo é tradicionalmente masculino, mas vemos que hoje a competência acaba falando mais alto”, diz.
A executiva é uma das entrevistadas do especial da Semana da Mulher da AB Diversidade, que conversa com grandes lideranças e especialistas do setor automotivo sobre os desafios para promover equidade de gênero.
As mulheres ainda são minoria em cargos de alta gestão da indústria automotiva, representando apenas 6%, segundo a pesquisa Liderança do Setor Automotivo, feita por Automotive Business com a coordenação técnica da MHD Consultoria. Dentro de todo o segmento, elas somam apenas 19% da força de trabalho, com maiores desafios, mas menores oportunidades e salários, aponta o estudo Diversidade no Setor Automotivo.
Na sua visão, qual é a importância da equidade de gênero para a indústria em geral e, principalmente, para o setor automotivo?
Penso que hoje esse tema sobre equidade de gênero já está bem diferente de tempos atrás, principalmente por causa do empoderamento feminino. O segmento automotivo é tradicionalmente masculino, mas vemos que hoje a competência acaba falando mais alto.
Há diversas engenheiras, designer de produtos, executivas em altos cargos em grandes montadoras confirmando que esse preconceito começa a ficar para trás. Também percebo que o tema da equidade de gênero ganha cada vez mais relevância nas empresas do segmento.
Que conselho você daria às mulheres que querem construir carreira no setor? E aos homens que buscam fomentar a equidade?
O conselho que dou serve pra qualquer mulher, independente do setor. Executem com afinco suas competências e habilidades, pois hoje o mercado busca isso, independentemente de gênero. Afinal, a corrida por resultados sustentáveis vem dessa equação de competências profissionais, emocionais e comportamentais para gerar eficiência e produtividade. Assim feito, o crescimento na carreira vem por consequência. Quanto aos homens que buscam fomentar a equidade, acredito que este é o caminho mais inteligente, pois capacidade não se prova por ser homem ou mulher, mas por entrega e resultado.
Quais oportunidades e desafios você enxerga na busca da equidade de gênero dentro do setor?
Desafios sempre existirão pois vivemos numa sociedade machista, sobretudo em algumas regiões do Brasil, como Norte e Nordeste. Porém, noto que quando se mostra um trabalho eficaz e eficiente, é possível superar preconceitos.
Temos como exemplo a Tânia Silvestri, que há pouco tempo se aposentou, mas ficou por anos no cargo de executiva número um no Brasil para a marca Jeep e já estava no mercado automotivo há mais de 30 anos. Portanto, as oportunidades existem, cabe a nós agarrá-las e mostrarmos o potencial que temos para exercê-las.
O que você gostaria de receber de presente de Dia da Mulher?
Honestamente, dia da mulher é todo dia. O grande presente deveria ser a valorização, pois além do âmbito profissional, também exercemos diversos papéis importantes para a sustentação da sociedade.