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Para enfrentar a crise, setor automotivo precisa avançar rápido para a próxima trincheira

Este é o segundo texto, de uma série de quatro que publicamos neste portal sobre gestão na era histórica que estamos atravessando. Nunca a humanidade precisou mudar tanto e tão depressa. No primeiro artigo, fizemos um raio X das grandes transformações que vivemos e refletimos sobre o papel da liderança. Neste, abordaremos a primeira e impactante estratégia das três que recomendamos que sejam adotadas imediatamente pela liderança.
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cria

13 dez 2021

3 minutos de leitura

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Este é o segundo de 4 artigos dedicados a oferecer estratégias para lidar com transformações rápidas e assegurar resultados. Acompanhe nas próximas colunas.
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Em um momento agudo de transformação como o atual, o primeiro “mandamento” é: Avance Rápido para a Próxima Trincheira. Explico: no filme O resgate do soldado Ryan (1998), estrelado por ninguém menos que Tom Hanks, há uma cena inicial incrível e de grande violência. É o desembarque das tropas americanas na Normandia, no inesquecível dia D. Recrutas titubeiam assustados quando chegam à praia sob saraivadas de tiros das metralhadoras alemãs muito bem posicionadas um nível acima deles, em uma pequena montanha. Enquanto o comandante ordena que avancem, aos gritos, os soldados hesitam entre a atitude natural e instintiva ou a coisa certa a fazer. 

A reação natural é deixar-se dominar pelas emoções, pelo medo, especialmente, encolher-se e parar. Nesse momento do filme muitos recrutas agem assim. Paralisados pelo terror, tornam-se alvo fácil e são cruelmente atingidos. 
A reação certa é a mais difícil: correr o mais rápido possível e procurar abrigo próximo do inimigo. Parte das tropas de fato avança corajosamente até conseguir posicionar-se bem abaixo da linha de tiro das metralhadoras. Por incrível que pareça, era o lugar mais seguro naquela praia ocupada. 

Na dúvida, acelere

Em nossa batalha para superar as dificuldades destes nossos tempos mutantes ocorrerá algo muito parecido com a cena do filme. Assustados com a avalanche de mudanças, teremos que escolher entre a reação instintiva de encolhimento e introspecção ou a ousadia de avançar e liderar a invasão da nova praia à nossa frente. Não há dúvidas sobre qual deveria ser a sua melhor escolha, aquela que o levará mais longe.

Em outra simbólica metáfora, os americanos dizem: “Patine rápido sobre o gelo fino”. Aludem a ocasiões nas quais, patinando sobre lagos gelados, chega-se a ouvir o barulho das trincas em alguns lugares onde a camada de gelo é menos espessa. Reação natural: parar. E aí? Chabum! Água gelada. A alternativa correta é acelerar.

A transformação digital, novas rotinas e hábitos, as mudanças socioculturais, os ajustes imprevisíveis de mercado. Tudo isso, e muito mais, é como gelo fino sob nossos patins ou balas sobre nossas cabeças, e a recomendação é deixar o medo de lado e avançar firmes. Superar os temores e os instintos de paralisia.

Como isso se traduz em atitudes no dia a dia? Assim: focar na semana e não mais no mês ou no trimestre. Estabelecer metas de curtíssimo prazo para as equipes e mantê-las acelerando rumo ao desconhecido. Focar no que é possível e não no desejável. Deixar de lado detalhes, coisas pequenas. Não desperdiçar nenhuma energia em causas perdidas e muito menos lamentando-se ou querendo voltar a um passado que nunca mais viveremos. Em muitas situações, o desconhecido é a meta agora.  

Portanto, corra. Avance rápido para a próxima trincheira. É o melhor a fazer. Por você mesmo e, em especial, para ajudar suas equipes assustadas e vacilantes. Essa é a primeira estratégia vencedora para períodos agudos de mudanças que apresentamos a você. Nas próximas colunas, conheça as outras duas estratégias recomendadas. 
 


Valter Pieracciani é sócio-fundador da Pieracciani Consultoria. Empresário, pesquisador, consultor, e escritor, é especialista em modelos inovadores de gestão. Dirigiu mais de 800 projetos em companhias-líderes como Nestlé, Ambev, Tetrapak, Pirelli e Avon, dentre outras. Atua como gestor de startup e de recuperação de empresas.

 

*Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business