
-Veja aqui os dados da Fenabrave
Os resultados de janeiro a agosto de 2015 confirmam que não há motivos para traçar visão mais otimista. As vendas diminuíram 21,3% para 1,75 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados do Renavam divulgados pela entidade. Houve sensível aprofundamento da retração, que no acumulado do ano até julho chegava a 21%. “Voltamos aos patamares de entre 9 e 10 anos atrás”, avalia Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave.
O tombo foi puxado pelos veículos pesados, com queda de 43,3% nas vendas de caminhões, para apenas 49,7 mil unidades no período. O segmento de ônibus também patinou de janeiro a agosto e teve recuo de 27,7% na comparação com o volume registrado há um ano, para 15 mil chassis. As vendas de leves chegaram 1,68 milhão de veículos, com retração de 20,3%.
Em agosto os emplacamentos somaram 207,2 mil unidades, com improvável queda de 8,9% das vendas na comparação com julho. Tradicionalmente o mês é mais aquecido do que o anterior por ter mais dias úteis e marcar a volta das férias de parte da população. Este ano, no entanto, enquanto julho teve 23 dias úteis – apesar dos feriados em praças importantes do País, como os estados de São Paulo e Bahia – agosto somou apenas 21 dias de vendas. Dessa forma, a média diária permaneceu estável entre os dois meses, com 9,8 mil veículos/dia.
Assumpção acredita que a crise política, que afeta a performance econômica do País, com expectativa de recuo de 2,5% no PIB este ano, é um dos fatores que causaram a deterioração do mercado interno de veículos. O dirigente acredita que a situação agrava a falta de confiança do consumidor principalmente por ser acompanhada pelo aumento da inflação e dos juros. Ele destaca ainda a diminuição do salário real e a restrição do crédito.
A Fenabrave estima que apenas 3,5 em cada 10 pedidos de crédito são aceitos pelos bancos para a compra de veículos leves. A aprovação sobe para a aquisição de caminhões, com admissão de 7 em cada 10 fichas. Assumpção lembra, no entanto, que nesse caso o problema não está no crédito, mas na baixa demanda por frete que faz com que os clientes não tenham interesse em comprar veículos novos.
REDE DE CONCESSIONÁRIAS ENCOLHE
A contração das vendas já causou redução da rede de distribuição de veículos instalada no Brasil. Assumpção calcula que houve diminuição de 5% a 6% nas 8 mil casas espalhadas pelo País. Segundo a Fenabrave, 691 lojas interromperam as atividades entre janeiro e agosto, considerando os segmentos de carros de passeio, de caminhões, ônibus e o de motocicletas. A baixa foi amenizada pela abertura de 344 concessionárias para sustentar o crescimento de algumas marcas no Brasil, como Jeep, Audi e BMW.
EXPECTATIVAS
“Perderemos volume equivalente ao de um ano de vendas do mercado mexicano”, compara o presidente da Fenabrave, sinalizando que a redução em 2015 deve ser da ordem de 1 milhão de unidades na comparação com 2014.
A projeção oficial da entidade é de resultado 23,8% inferior ao registrado há um ano, para 2,66 milhões de veículos entre leves e pesados. A maior queda deve acontecer entre caminhões e ônibus. Somadas, as perdas do segmento podem chegar a 41,7%, para apenas 98,4 mil unidades. Entre os automóveis e comerciais leves, os volumes tendem a cair 22,9%, chegando a 2,56 milhões de emplacamentos.
Tereza, da MB Associados, acredita que o impacto mais severo na redução do consumo deve ser sentido apenas nos próximos meses. “O seguro-desemprego das pessoas que foram demitidas no primeiro semestre vai acabar entre setembro e outubro e os cortes devem continuar”, alerta a economista. Com isso, o fim do ano, período tradicionalmente aquecido por causa do 13º salário, não deve trazer alívio para os resultados negativos registrados ao longo de 2015.
Assista à entrevista exclusiva com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave:
