
Irmãs dentro do Grupo Traton, Scania e Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) deverão estreitar as suas relações em um novo modelo de caminhão pesado, a partir de 2028. Foi o que sinalizou a montadora sueca durante o Salão de Hannover, realizado na Alemanha há duas semanas.
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Segundo Silvio Munhoz, diretor-geral das operações comerciais da Scania no Brasil, a plataforma do motor diesel Euro 6, comum a todos os pesados do grupo hoje, é compativel tecnicamente apenas com veículos pesados MAN e Navistar. Já no caso da VWCO, que atende a este segmento com o VW Meteor, haveria, segundo o executivo, restrições de ordem técnica.
“Os chassis Scania, MAN e International [subsidiária da Navistar] têm muita similaridade em termos de resistência estrutural, distribuição de peso, então é mais fácil de fazer a transição agora. O chassi da VWCO, hoje, é tecnicamente incompatível”, disse Munhoz em apresentação durante o evento. “A estrutura do produto é tão distinta que precisaria de muitas horas de engenharia para desenvolver a adequação.”
Scania e VWCO: Tempo para produção de uma nova plataforma
Em maio, o grupo determinou cronograma de implementação de plataformas de motores comuns aos veículos das subsidiárias. A plataforma CBE, sigla para Common Base Engine, será a última a combustão utilizada pelas companhias, já que no horizonte existe a transição para motores exclusivamente elétricos nos principais mercados globais.
A primeira aplicação da CBE foi em um motor a diesel de 13 litros da Scania, que já equipa o modelo 460R Highline na Europa. De acordo com o cronograma, a plataforma desembarcará nos motores Navistar em 2023, MAN em 2024 e, por fim, nos veículos Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), produzidos em Resende (RJ), em 2028.
O prazo, segundo Munhoz, diz respeito ao tempo que será necessário para que seja criada uma plataforma VWCO compatível com o motor comum desenvolvido pela Scania, o que poderia, em tese, confluir com o fim da vida útil da atual plataforma sobre a qual foi construído o modelo pesado Meteor produzido na fábrica de Resende (RJ).
Mesmo motor, mas com perfis diferentes
O Grupo Traton pretende manter as características dos veículos pesados de cada uma das marcas por meio da calibração dos motores, um movimento que, segundo Munhoz, evitaria uma certa confusão no mercado que poderia surgir através da premissa de que todos os caminhões Traton têm o mesmo motor.
“Nesse sentido é importante salientar que não significa que todos os caminhões terão a mesma resposta, mesma performance. O software [de gerenciamento do motor] sempre será particular das marcas do grupo. De tal forma que mesmo usando a mesma plataforma, a performance será distinta em função da calibração feita por cada marca. E a ideia é ter as marcas cada uma com sua característica”, explicou o executivo da Scania.
Nas contas da montadora, o desenvolvimento do novo motor Euro 6, feito durante momento de forte transição para a eletrificação na Europa, ocorreu porque há projeção que indica o uso do diesel em 3/4 do mundo pelos próximos trinta anos. Por isso, contou Munhoz, a empresa percebeu que fazia sentido investir no desenvolvimento da plataforma CBE, que demandou aporte de € 2 bilhões.
Motor Scania em caminhões leves?
A montadora sueca se mostra como especialista em termos de powertrain dentro do Grupo Traton mas o seu papel, pelo menos neste momento, se resume em fornecer motores apenas para os modelos pesados do conglomerado, o que exclui, à princípio, os modelos leves do line-up da Volkswagen Caminhões. Para Silvio Munhoz, da Scania, esta tarefa poderia, em tese, ficar nas mãos da MAN.
“Não temos know-how em motores de baixa potência. A MAN tem mais conhecido do que nós nessa área, por exemplo, porque eles já fazem muito tempo isso. Do mesmo jeito que a Scania desenvolveu um motor diesel de seis cilindros para os pesados do grupo, eles também podem assumir esse papel para motores de quatro cilindros.”
