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Paraná está de volta à briga e busca novos investimentos de Renault e Nissan em novas fábricas

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pedro

02 set 2011

4 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB

Após conquistar sua quinta fábrica de veículos, o Paraná mostrou que “está de volta ao jogo” para receber novos investimentos do setor automotivo, como aconteceu nos anos 90, segundo informou a Automotive Business fonte do governo paranaense. Além da Paccar, que confirmou a fabricação de caminhões DAF em Ponta Grossa (leia aqui), o Estado também negocia receber novos investimentos da Renault e de sua associada, a Nissan.

A fabricante japonesa, sócia da Renault, incluiu algumas cidades paranaenses em seus estudos para montar uma nova linha de produção no País de carros compactos com capacidade para 200 mil unidades/ano, possivelmente do March ou modelo da mesma plataforma V.

Em 29 de setembro, o governador do Paraná, Beto Richa, visitou dirigentes da Renault em Paris, na França, para dizer que o Estado estava disposto a conceder incentivos para a Renault acelerar seu plano de investimentos em expansão da planta de São José dos Pinhais. Trata-se de incentivo fiscal parecido com o concedido na década de 90 quando Renault e Volkswagen se instalaram no Paraná: generosos descontos, de até 90%, no recolhimento do ICMS. Foi o que a Paccar ganhou, por oito anos, para ficar em Ponta Grossa.

Na França, Richa ouviu que não só a Renault estaria interessada em aproveitar a oferta, mas também sua associada, a Nissan, que já tem unidade de produção instalada no Paraná dentro do mesmo complexo industrial, onde faz a picape Frontier e os monovolumes Livina. Contudo, a Nissan está em busca de mais espaço para produzir um modelo de maior volume.

Dirigentes da Renault e da Nissan já estiveram com integrantes do governo paranaense para discutir os investimentos e os incentivos estaduais. Segundo pessoas ligadas à negociação, os novos investimentos da Renault irão além da expansão da fábrica em cerca de 50%, para algo como 300 mil veículos/ano, e incluem a construção de um centro completo de desenvolvimento de produtos. Já a Nissan ainda não bateu o martelo, pois negocia a instalação de sua nova fábrica no País também em municípios paulistas e no Estado do Rio de Janeiro, no complexo da EBX em Porto Açu.

No Paraná, sabe-se que os municípios vizinhos de São José dos Pinais e Rio Grande entraram na disputa pela nova fábrica da Nissan e, segundo informações de bastidores, Ponta Grossa, um pouco mais distante, também está no páreo. A cidade já ganhou a Paccar com boa oferta de mão-de-obra qualificada, formada por escolas técnicas locais, e aposta na mesma fórmula para atrair a Nissan.

O fato é que o incentivo oferecido pelo governo paranaense é maior do que a oferta de São Paulo, que limita-se ao Pró-Veículo, que apenas devolve mais rápido os créditos de ICMS das exportações. Como se sabe que as exportações não são o forte da indústria automotiva brasileira neste momento, esse incentivo é bastante pequeno.

A decisão sobre os novos investimento de Renault e Nissan no País é esperada para ser divulgada no decorrer de setembro, ou começo de outubro. Se o Paraná vencer a disputa, ficará comprovado que não é suficiente para afugentar ninguém o criticado custo de mão-de-obra em franca elevação na região – inclusive na Renault, que fechou pacote de aumentos reais de 20% até 2013 e pagará bônus que somam R$ 61 mil por empregado no período.