
Quem mais perdeu participação de mercado em 2015 foi justamente a líder do ranking brasileiro por 14 anos, a Fiat. Sem nenhum lançamento importante, a marca italiana teve queda nas vendas de 37,1% no ano, com perda de expressivos 3,24 pontos porcentuais de market share, para 17,7%. Ainda assim, conseguiu se sustentar na liderança com 51 mil unidades à frente da General Motors, que se consolidou no segundo lugar pelo segundo ano seguido.
A GM também não trouxe em 2015 nenhuma grande novidade ao mercado, mas sustentou sua posição em grande medida lastreada pela boa aceitação do Onix, que fechou o ano pela primeira vez como carro mais vendido do País e foi responsável por quase um terço das vendas da montadora no período. Ainda assim, a GM registrou queda de 33% nos emplacamentos e viu sua participação encolher 1,7 ponto, para 15,6%.
Depois de perder para a GM o segundo lugar no ranking em 2014, a Volkswagen permaneceu em terceiro em 2015, mas foi a marca que apurou maior queda nas vendas no período, com recuo de 37,6%, e seguiu perdendo participação, com menos 2,81 pontos, para 14,5% – seu menor porcentual histórico. A ausência de lançamentos de peso explica o declínio da alemã, puxada ainda mais para baixo depois que o Gol perdeu a liderança de mercado que manteve por mais de duas décadas. Após ficar em segundo em 2014, o modelo desceu para quinta posição entre os automóveis mais vendidos no Brasil – e só não caiu mais por causa das vendas diretas a frotistas, que corresponderam a cerca de um terço das vendas do Gol no ano passado.
Mantendo seu quarto lugar no mercado, a Ford conseguiu ganhar quase um ponto de participação em 2015, passando a 10,2%. A fabricante teve queda de vendas de 17,7%, menor do que a média, graças especialmente ao bom desempenho do Ka, que com seu bom motor três-cilindros tornou-se o 1.0 mais vendido do País e subiu à quarta posição geral.
A quinta posição traz a principal alteração no ranking de marcas mais vendidas do País. A Hyundai, que por muito pouco não tomou o lugar da Renault em 2014, conseguiu ultrapassar a francesa em 2015, com ganho de participação de 1,14 ponto porcentual, para 8,26%. A marca coreana também teve retração de vendas no ano, de 13,7%, mas menor do que a média de mercado e 10 pontos menos do que o tombo da Renault. A Hyundai ainda surfa no sucesso da família HB20 no Brasil, que passou por renovação no ano passado. O hatch tornou-se o terceiro carro mais vendido do País, responsável por mais da metade das vendas da marca, com 110,4 mil unidades emplacadas, enquanto a versão sedã vendeu mais 53,3 mil.
A Renault insistiu na estratégia de vender no Brasil carros mais populares da plataforma da romena Dacia e, no momento em que o segmento de entrada sofre mais, a marca também não avançou, teve queda de emplacamentos de 23,4%, quase em linha com a média do mercado, e desceu para a sexta posição, perdendo o lugar de antes para a Hyundai. Renovou o Duster no início de 2015, que não fez frente a novidades mais sofisticadas como Jeep Renegade e Honda HR-V, e já no fim do ano lançou a picape Duster Oroch, sem tempo para turbinar o desempenho da fabricante. Ainda assim, a Renault conseguiu ganhar leve participação de 0,2 ponto e fechou os 12 meses com o melhor market share de sua história: 7,33%.
Desde que entrou no segmento de compactos, em 2012 com o lançamento da linha Etios, a Toyota ascendeu à sétima posição do mercado brasileiro e vem mantendo a colocação. Mas em 2015 a marca ganhou mais 1,23 ponto de participação, passando a 7,1%. E não foi o Etios que garantiu o resultado, mas o sedã médio Corolla, renovado em 2014, que foi décimo carro mais vendido em 2015 e com 67,3 mil unidades foi responsável por 38% das vendas da Toyota no País. O volume é quase o dobro do que vendeu o Etios hatch. No balanço geral, os emplacamentos caíram 10%, o que pode ser considerado pouco em relação ao tombo de 25,6% do mercado.
O desempenho da Honda em 2015 ficou à margem da crise econômica. Os emplacamentos da marca cresceram 11,2%, um dos raríssimos números positivos vistos no ano. Também foi a que mais ganhou participação: foram 2 pontos, para 6,2%, mantendo o oitavo lugar no ranking nacional. O lançamento do HR-V explica o desempenho em boa medida, com 51 mil unidades, um terço das vendas da Honda no período – e só não foi mais porque o modelo foi lançado em março e teve filas de espera durante todo o ano passado.
Em nono lugar no ranking, a Nissan seguiu sem chamar muito a atenção dos consumidores brasileiros em 2015, apesar de ter lançado o March com novo motor 1.0 de três cilindros e, na sequência, o novo Versa fabricado no Brasil. As vendas caíram 15,4%, abaixo da média do mercado, e a marca ainda conseguiu ganhar 0,3 ponto porcentual de participação, para 2,5%.
O desempenho mais meteórico do ano ficou com a Jeep, com crescimento dos emplacamentos de mais de mil por cento (1.163%) após a inauguração da fábrica brasileira e do lançamento, em maio, do Renegade, responsável por 93% das vendas da marca no País. O SUV compacto teve sucesso instantâneo e encerrou o ano como 18º carro mais emplacado, mas ficou entre os 10 primeiros por vários meses – foi o sexto em dezembro. Amparada em um único modelo, a Jeep terminou 2015 como a décima marca de veículo mais vendida no Brasil – um ano antes sequer figurava entre as 20 primeiras.
Com isso, a Jeep deixou para trás marcas tradicionais no mercado brasileiro, como Mitsubishi, Citroën e Peugeot, que ficaram de fora do ranking das 10 mais em 11º, 12º e 13º lugares, respectivamente. Fortemente atingida pela alta do dólar, a Kia, que ocupava a 13ª posição em 2014, desdeu para a 16ª, ultrapassada por Mercedes-Benz (14ª) e Audi (15ª).
