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Patinetes elétricos chegam a Fortaleza, mas polêmica acompanha

Prefeito é acusado de favorecer empresa estrangeira e não ouvir trabalhadores locais
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Victor Bianchin

27 mai 2025

3 minutos de leitura

Na última semana, Fortaleza ganhou o serviço de patinetes elétricos oferecido pela empresa Jet. Segundo a Prefeitura, cerca de 350 patinetes já estão em circulação, distribuídos em 40 estações virtuais, localizadas em calçadas, praças, parques e vagas ao longo da Avenida Beira-Mar.

Os patinetes de Fortaleza são rastreados por GPS e têm velocidade máxima de 20 km/h. São equipados com placa de identificação, freios, buzina e faróis de LED.

O objetivo da Jet – atualmente a única credenciada a operar o serviço – é ampliar a oferta e chegar a 1,5 mil veículos elétricos disponíveis na capital cearense.

Como funciona o serviço de patinetes de Fortaleza

Para alugar os patinetes de Fortaleza, os usuários precisam baixar gratuitamente o aplicativo da Jet Brasil, disponível para Android e iOS. Em seguida, devem realizar o cadastro, que exige o fornecimento de CPF e dados do cartão de crédito.

Após localizar um patinete pelo mapa do app ou caminhando, é possível desbloquear o veículo escaneando seu QR Code.

O serviço cobra R$ 2,99 por desbloqueio, além de uma tarifa por minuto de uso que custa cerca de R$ 0,70. Se o usuário preferir, pode também assinar uma das opções de plano, as quais eliminam a cobrança de taxa de desbloqueio. Há dois planos: a partir de R$ 14,99 por mês ou por R$ 49,99 ao ano.

Apesar de os patinetes só estarem chegando agora, a intenção de colocá-los em circulação é antiga: em abril de 2019, foi assinada no município a Regulamentação para Operadoras de Micromobilidade, que incluía patinetes e bicicletas elétricas.

A iniciativa autorizava equipamentos de mobilidade individual autopropelidos e “dockless”, ou seja, que podiam ser retirados e devolvidos em qualquer lugar da área de atuação das operadoras.

Patinetes de Fotaleza em meio à polêmica

A novidade é controversa na esfera pública. No começo de maio, o prefeito Evandro Leitão (PT) publicou decreto com novas regras para a operação de patinetes que restringe o aluguel desses veículos ao modelo de compartilhamento por aplicativo, mediante credenciamento de empresas que poderão operar em um raio de até 10 km, com prioridade para ciclovias.

Já as áreas de lazer, como a Praia de Iracema e a Beira Mar, só poderão receber os equipamentos por meio de estações montadas pelas empresas autorizadas.

A vereadora Adriana Gerônimo (PSOL) acionou o Ministério Público contra a medida, alegando violação ao direito ao trabalho. Segundo ela, a ação prejudica os trabalhadores locais, que trabalhavam diretamente no aluguel dos veículos e não foram consultados.

Adriana afirma que houve tentativa de negociação com a Prefeitura em abril, mas o decreto foi publicado mesmo diante das queixas. 

Além disso, a líder da oposição na Câmara Municipal, Priscila Costa (PL), critica a Prefeitura por favorecer a Jetshr Ltda, que é de origem russa e é a única credenciada para operar dentro das novas regras.

“Depois de toda essa dedicação dos permissionários fortalezenses, agregando e enriquecendo nossa cidade, eles têm que recolher seus patinetes, recolher seus investimentos, demitir seus funcionários, porque é uma empresa russa que vai ter a permissão para explorar a atividade de locação de patinetes na Beira Mar”, criticou ela no plenário, segundo informações do Focus Poder.