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Pedestres devem levar vantagem sobre carros autônomos

Para especialista, pessoas poderão abusar da preferência nas vias
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Redação AB

28 mar 2017

2 minutos de leitura

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A disrupção provocada pelo carro autônomo vai muito além do aspecto tecnológico. Um dos comportamentos que os especialistas estudam é o dos pedestres que, na maior parte das vezes, fazem contato visual com o motorista antes de atravessar uma rua, lógica que muda quando não há uma pessoa conduzindo o carro. Estudo publicado recentemente por Adam Millard-Ball, professor da Universidade da Califórnia, indica que o comportamento dos transeuntes e dos motoristas varia de forma significativa entre diferentes cidades e pode mudar completamente com a chegada dos veículos autônomos.

Segundo o especialista, antes de cruzar uma rua o pedestre pondera sobre o risco de ser atropelado se atravessar correndo, sobre a espera para que possa ir adiante e até sobre a possibilidade de ir por outro caminho. Segundo ele, há um código comportamental entre motoristas e caminhantes. O carro autônomo chega ao mercado justamente com a promessa de tornar o trânsito mais seguro e, portanto, deverá garantir que a preferência seja sempre do pedestre, aponta Millard-Ball. Sempre que os radares dos modelos automatizados detectarem uma pessoa à frente, o sistema vai frear o carro. Em teoria, isso garante zero chance de atropelamento.

Ainda que esteja longe de soar como um problema, essa mudança deve ter um efeito colateral importante no comportamento: como sabe que o automóvel sempre vai parar, o pedestre tende a deixar de esperar para atravessar a via. O abuso dessa vantagem pode trazer consequências importantes ao tráfego das grandes cidades, fazendo com que uma simples ida à região central se transforme em longa viagem, já que o trajeto será muito interrompido.

O estudo indica que, caso isso aconteça, o carro pode perder a competitividade como meio de transporte. Ainda que as pessoas ganhem tempo para checar e-mails ou assistir a um seriando quando estão no carro sem dirigir, ir a pé ou de transporte público poderá ser opção mais rápida e eficiente, aponta. Millard-Ball avalia que a lógica urbana também será impactada, com vias rápidas isoladas por muros para que os pedestres não atravessem.

O especialista acredita que, com tecnologia voltada a prevenir atropelamentos, os pedestres poderão ser responsabilizados pelos acidentes em que se envolvem. A legislação dos países também deve avançar para que transeuntes sejam penalizados e multados caso tenham atitudes irresponsáveis que atrapalhem a mobilidade. Assim, mesmo quando a tecnologia tornar os carros mais confiáveis, a ameaça à segurança viária vai continuar vindo do ser humano.