
“Depende muito da profundidade da crise, mas toda crise representa uma fuga de ativos que são menos atraentes para ativos mais atraentes. Como acreditamos que nosso plano é adequado, acreditamos que mesmo na crise é possível atrair interesses”, afirmou o executivo, após participar de evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Gabrielli voltou a destacar que o planejamento da companhia prevê a aprovação do texto sobre a capitalização da empresa até o fim do primeiro semestre. Somente se esse prazo não for viável a companhia analisaria outras alternativas. “O ritmo de decisões do Congresso Nacional é o político. Sempre é. Mas acreditamos que o Congresso será capaz de resolver, no ritmo que for necessário, os assuntos (associados à capitalização) no primeiro semestre”, ressaltou o executivo, após reforçar que a alternativa vislumbrada pela Petrobras no momento é a capitalização via cessão onerosa de barris da União.
O evento organizado pela Fiesp marcou o lançamento da Mobilização da Indústria Paulista para o Setor de Óleo e Gás e contou com a presença de centenas de executivos do setor. “Desejamos que o porcentual nacional mínimo seja de 65%, mas se a indústria não se preparar teremos dificuldades em atingir a velocidade (dos projetos) que precisamos”, alertou Gabrielli, lembrando que o programa da estatal “exige esforço de investimentos em toda a cadeia produtiva.”
A preocupação do executivo, que também comentou a respeito da necessidade de treinamento de mão de obra especializada, deve-se à dimensão do plano de investimentos da companhia, que prevê aportes de até US$ 220 bilhões entre 2010 e 2014. Já há sinais de setores que enfrentam dificuldades para atender a todas as necessidades da estatal. Os fornecedores de sondas, por exemplo, pediram para adiar em três semanas o prazo de entrega das propostas para a licitação das 28 sondas de perfuração. A nova data-limite, segundo Gabrielli, está mantida para o próximo dia 26 de maio.
Fonte: André Magnabosco, Agência Estado.
Foto: José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras.