A estrutura de logística da Petrobrás terá que dobrar de tamanho até 2020 para conseguir atender o aumento do consumo de derivados no País, que deve passar dos cerca de 2 milhões de barris diários atuais para 4 milhões de barris diários em 2020. Somente de navios de apoio à operação de exploração e produção a estatal terá 490 unidades em 9 anos, afirmou o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, nesta segunda-feira, 16.
Segundo ele, a estatal já tem 240 navios de apoio e mais 250 serão contratados até 2020. Todos terão de ser feitos no Brasil. “Para atender a esse consumo de 2 milhões a gente movimenta 12 milhões de barris em navios diariamente. Tem que ter logística para atender quando crescer”, disse Costa após palestra para executivos no Rio sobre a Petrobrás e a indústria naval brasileira.
Costa ressaltou no entanto que para efetuar estas e outras encomendas da companhia, como plataformas e sondas, será necessário construir mais estaleiros no País. “Ou se faz novos estaleiros ou ampliam-se os existentes, porque o que tem hoje não atende”, afirmou.
Ele não quis entrar em detalhes sobre os investimentos que serão necessários para acompanhar o crescimento da demanda interna, alegando que as informações estarão no plano de negócios da empresa para o período 2011-2015, ainda não aprovado pelo conselho de administração.
“Cada diretoria já está desde hoje fazendo o seu trabalho”, disse Costa, que não prevê muita demora para a conclusão da revisão no plano, solicitada pelo conselho de administração da empresa na última sexta-feira. Depois que a Petrobrás fizer a revisão, uma reunião extraordinária do conselho de administração da empresa será convocada para avaliar novamente o texto que vai substituir o plano anterior da empresa, de US$ 224 bilhões até 2014.
Preços
Costa disse que os preços do etanol, e consequentemente da gasolina – que recebe uma mistura de 25% de álcool anidro – já começaram a cair nos postos.
Ele citou a queda do anidro para cerca de R$ 1,40 o litro na semana passada, ante pico de aproximadamente R$ 2,80 no auge da entressafra da cana. “A tendência é cair mais, porque no passado era R$ 1 por litro”, informou.
Costa evitou comentar se a Petrobrás tem necessidade de aumentar o preço da gasolina e do diesel, seus principais produtos e que estão congelados desde junho de 2009. Ele afirmou que as conversas com o governo “são constantes” sobre o assunto, mas que não há decisão.
Nesta manhã, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, admitiu que a falta de repasse do preço do petróleo no mercado internacional para os derivados da companhia no mercado interno foi responsável pelo prejuízo de R$ 95 milhões da área de Abastecimento, contra um lucro de mais de R$ 1 bilhão no ano passado.
Costa defendeu no entanto o resultado da sua área, afirmando que todos os resultados operacionais foram positivos.
“Os indicadores operacionais foram excelentes, aumentamos volume de refino, aumentamos a produção de gasolina e diesel, refinamos mais petróleo nacional, são resultados operacionais extremamente positivos”, disse o diretor.
Mesmo com um desempenho negativo na área de Abastecimento, a Petrobrás teve lucro recorde de R$ 10,9 bilhões no primeiro trimestre de 2011.