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Agência Estado
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou a afirmar nesta quarta-feira, 17, que a companhia pretende aumentar sua participação nas empresas com as quais produz etanol, caso das joint ventures com os grupos Guarani e São Martinho. Ele admitiu, também, que a companhia poderá construir refinarias próprias. O plano da estatal é passar da atual participação no mercado brasileiro de etanol de 5,3% para 12% em 2015.
Como parte do projeto de expansão, também nesta quarta-feira a Petrobras Biocombustível e o Grupo São Martinho anunciaram investimentos conjuntos de R$ 520 milhões na Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), que será a maior produtora de etanol de cana no mundo (leia aqui).
Depois de participar de audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Gabrielli afirmou que os problemas recentes no abastecimento de etanol no País se devem ao aumento da frota brasileira de veículos e à quebra da safra de cana-de-açúcar na Índia, que elevou os preços internacionais do açúcar e tornou mais atrativa a sua produção. Com isso, a produção de álcool no Brasil foi reduzida, gerando aumento nos preços, com impacto também nos preços da gasolina.
Gabrielli destacou também que a área plantada de cana no Brasil é insuficiente, uma vez que investimentos previstos no setor foram interrompidos durante a crise, em 2008 e 2009. “Os preços caíram, mas ainda estão 30% acima dos verificados em 2010. O problema não é falta de álcool, mas de cana plantada”, afirmou. Segundo Gabrielli o Brasil deve alcançar autossuficiência na produção de gasolina em 2020, mas não dá para fazer previsões sobre o comportamento da safra de cana-de-açúcar até lá.
O presidente da Petrobras acrescentou que não existe um limite para que a estatal segure o preço da gasolina. Segundo ele, a companhia acompanha os preços internacionais do petróleo e de derivados, além das variações de câmbio, para tomar uma decisão. “Não precisamos fazer (reajuste de preço) todo o dia, não tem data. Somos muito grandes no mercado e quem é muito grande não gosta de mexer no preço”, concluiu.
Mercado interno
O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a estatal está reavaliando o uso de suas refinarias em construção, diante do aumento do consumo de combustíveis no País. Segundo ele, será necessário usar parte da produção que antes seria exportada para atender o mercado interno.
Costa afirmou que o consumo dos derivados líquidos está crescendo a um ritmo de 6,6%, acima do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2011 (entre 3,5% a 4,5%, segundo analistas), movimento que também foi verificado em 2010.
Entre as principais refinarias que terão a produção destinada agora ao mercado interno está a do Ceará, disse. Os planos de exportação, segundo ele, foram feitos em 2007 e 2008, quando a empresa ainda não esperava um aumento tão forte da demanda interna. Entre os fatores apontados para a elevação do consumo estão o aumento da renda da população e incremento dos deslocamentos.