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Petróleo e Gás: um desafio para a cadeia de suprimentos

Por Manuel Fernandes*
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Redação AB

20 set 2011

3 minutos de leitura

            Assumindo o papel de protagonista na exploração da camada pré-sal, o Brasil, reconhecido como pioneiro em adotar e dispor de um eficiente, comercialmente viável e realmente efetivo programa de utilização de combustíveis renováveis – como o etanol e, agora, o biodiesel -, tem em perspectiva um enorme potencial. O país deverá se manter em destaque no setor energético por, no mínimo, mais 25 anos, com a expectativa de dobrar sua produção de petróleo (atualmente em mais de  dois milhões de barris ao dia) a cada cinco anos.

            Em razão das características dos campos exploratórios da região do pré-sal, localizados a 200 km ou 300 km da costa, em profundidades de até dois mil metros (sendo alguns poços a mais de seis mil metros), a utilização de tecnologias inovadoras será essencial para tornar a exploração de petróleo e gás nessas localidades economicamente viável.

            Para acompanhar esse momento e aproveitar as possibilidades que estão por vir, muitas empresas precisarão investir pesado em gestão e planejamento. Além disso, será necessário – aliás, mais do que necessário –
atrair, treinar e, principalmente, reter mão de obra qualificada e especializada para essa área. Com o aumento da demanda pelo petróleo previsto para os próximos anos, e diante da abundância de reservas e do custo de produção relativamente barato se comparado ao de outras fontes alternativas, o Brasil tornou-se um dos destinos preferenciais dos investimentos estrangeiros.

            Diante desse cenário positivo de aumento de demanda, toda cadeia produtiva ligada à indústria de petróleo e gás encontra-se em um momento de expansão e franco crescimento, o que vem provocando um movimento de consolidação de diversas empresas em setores críticos, como os de logística e produção tecnológica. Outra tendência que vem se concretizando é o investimento no setor feito por grandes companhias globais, como GE – General Electric, que buscam um melhor posicionamento no competitivo mercado global de Energia.

            A utilização do modelo de outsourcing e o uso de centros compartilhados de serviços figuram como opções interessantes para que essas empresas mantenham o foco em seu core business, visando aproveitar melhor o potencial produtivo. Isso possibilita que eles deixem a gestão de áreas acessórias para os especialistas, permitindo, assim, a maximização dos resultados esperados. As companhias também serão estimuladas a conhecer e identificar as janelas de oportunidades existentes, como a representada pelo marco regulatório e legal elaborado para a exploração do pré-sal, que inclui ainda estímulos à participação de empreendedores nacionais no processo, buscando o cumprimento das metas de conteúdo local.

            Além da capacitação de pessoal, essas empresas que compõem a cadeia de suprimentos vão enfrentar outros desafios, tais como possíveis desequilíbrios na relação entre oferta e demanda de produtos e serviços, além de qualidade, variedade, custos, complexidade do regime tributário, deficiências de infraestrutura, logística e gestão de políticas industriais. Ao final, as novas oportunidades já estão batendo à porta das empresas que atuam no fornecimento a esse segmento. Cabe a seus gestores identificá-las e preparar suas empresas – sejam elas pequenas, médias ou grandes – para que aproveitem da melhor forma possível os benefícios certos que virão da oportunidade de exploração no setor de Petróleo e Gás.
                                                                                                             
*Manuel Fernandes é sócio-líder no Rio de Janeiro da KPMG no Brasil.