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Pedro Kutney, de Puerto Iguazu, especial para a AB
É uma minivan? Um utilitário esportivo? Um hatchback? O Peugeot 3008 é uma mistura dos três, em uma tendência mundial que a indústria classifica como “crossover”. O modelo é o primeiro que chega às concessionárias brasileiras (até o fim deste mês) com esta nomenclatura – os demais concorrentes, como Honda CRV, Chevrolet Captiva e Hyundai ix35, nasceram de utilitários esportivos, os SUV 4×4, e ao longo das últimas gerações foram se transformando em crossovers, deixando de lado a aparência de jipões e ganhando características de carros de passeio urbanos. O francês 3008 já nasceu sob essa concepção, sem escalas. E ele chega ao Brasil também com uma estratégia crossover, que cruza diversas das ambições comerciais da marca aqui.
O modelo faz bastante sucesso na Europa. Tanto que apenas 200 unidades por mês serão enviadas ao Brasil, chegando aqui em duas versões: a Allure, por R$ 79,9 mil, e a Griffe, que custa R$ 86,9 mil, ambas equipadas com um eficiente motor 1.6 de 156 cavalos, que usa injeção direta e turboalimentador de alta pressão – outra tendência mundial, de diminuir os motores para economizar combustível e reduzir emissões, sem no entanto perder potência.
Com preço no segmento mais alto do mercado brasileiro e volume de vendas baixo, o modelo representa para a Peugeot aqui não só um novo nicho que mistura estilos, mas o cruzamento de estratégias comerciais: “O 3008 serve também para preparar o lançamento do sedã 408 no começo de 2011 e transmitir os valores da marca, seu design sedutor e sua tecnologia”, esclarece Guillaume Couzy, presidente da Peugeot do Brasil. Por isso o investimento no lançamento do 3008, com apresentação para a imprensa especializada de todo o País e campanha publicitária nacional incluindo TV, parece desproporcional à projeção de vendas, limitadas a 200 unidades/mês. Trata-se, portanto, de uma estratégia crossover.
Segundo Couzy, o lançamento do 3008 está inserido na estratégia de fazer a Peugeot ganhar mercado por aqui, com participação em mais segmentos e exposição maior da marca. “Traçamos uma dinâmica comercial arrojada, que prevê o lançamento de 14 novos modelos no mundo até 2012 e a conquista (considerando o Grupo PSA Peugeot Citroën) de três posições no ranking mundial de construtores de veículos”, afirma o executivo. Hoje a PSA faz 35% de suas vendas fora da Europa e o objetivo é aumentar este porcentual para 50% nos próximos anos, com crescimento maior na China, Rússia e Brasil.
A projeção de Couzy é vender 90,5 mil Peugeot no País em 2010, um avanço de 11% sobre 2009 – quando o erro estratégico de cortar a produção levou a marca ao recuo de 1% no ano, enquanto todos os concorrentes cresceram. “Vamos continuar acelerando em 2011”, garante Couzy, que projeta nova e expressiva expansão de 22%, para 110 mil unidades vendidas, em um mercado de automóveis de comerciais leves que deverá avançar 6%, para algo como 3,4 milhões de veículos.
Couzy destacou que boa parte do desempenho positivo este ano deve-se ao avanço no segmento de comerciais leves, que este ano ganhou a participação de dois modelos da marca francesa: a picape compacta Hoggar – o primeiro Peugeot desenvolvido no Brasil e que já faz parte daqueles 14 novos lançamentos no mundo – e a multivan Partner. Com isso as vendas da Peugeot no segmento cresceram 70% e já representam 10% dos negócios no País (incluindo também a van Boxer, fabricado na fábrica da Iveco em Sete Lagoas, MG).