
|
|||||||||||||||||||||||||||
Pedro Kutney, AB
De Ouro Preto
A Peugeot pretende começar a retomar terreno perdido no Brasil nos últimos dois anos com o hatch médio 308, que chega às suas 167 concessionárias no País em março a partir de R$ 53.990 (o mesmo preço do 307 de entrada). Fabricado na Argentina, o carro é o de maior volume lançado pela Peugeot no País desde o 207 tropicalizado, que veio no fim de 2008 e não emplacou como se esperava. Com linha de produtos ultrapassada na parte de baixo do portfólio, nos últimos três anos vendas e participação caíram no mercado brasileiro.
Frédéric Drouin, que em janeiro assumiu a presidência da Peugeot no Brasil, acumulando o comando da marca na América Latina que exerce desde 2011, explica que boa parte do recuo é devido a três fatores principais: falta de produtos para participar do mercado de frotistas, maior sustentador das vendas no ano passado; o problema de suprimento de peças do Japão após o terremoto do ano passado, que atrasou lançamentos; e o fim de ciclo do 307, que o 308 substitui. “Só esse último fator nos custou de 3 mil a 4 mil unidades a menos em 2011”, calcula.
Por isso ele aposta que a virada começa este ano, quando a marca francesa completa 20 anos no Brasil, com meta de vender 100 mil unidades (foram 85,8 mil em 2011) e aumentar a participação de mercado dos atuais 2,5% para 3%. “Nos próximos meses vamos encaixar produtos em diversos segmentos, de R$ 33 mil a R$ 140 mil, que é o nosso foco”, disse o executivo durante o lançamento para a imprensa do 308 em Ouro Preto (MG). Outro objetivo para 2012 é seguir aumentando o número de concessionárias no País, para o total de 190, com 23 inaugurações previstas.
Depois do hatch médio, Drouin conta que virão dois “carros de imagem”: o sedã grande 508 e o conversível 308 CC – eles vão se juntar ao portfólio de importados de baixo volume e visibilidade sofisticada, o crossover 3008 e o esportivo RCZ, e o recém-lançado sedã médio 408 THP (turbo). Além disso, será o primeiro ano inteiro de vendas do 408. E, para o começo de 2013, chega o hatch compacto 208, que conviverá com toda a família 207 (hatch, perua e sedã). “Vamos manter o modelo como nosso carro de entrada e assim teremos uma dupla oferta de produtos nesse que é o mais importante segmento do mercado brasileiro”, garante Drouin. O 208 e uma versão turbo do 308 estarão expostas já no próximo Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.
APOSTA NO PEDIGREE

O Peugeot 308 mantém e aprofunda o “feline design” consagrado pela marca do leão desde os anos 90. A silhueta alongada do hatch transmite esportividade, confirmada pelo bem ajustado conjunto chassi/motor/suspensão, que garante desempenho e estabilidade melhores do que o do predecessor 307.
O 308 é de fato um bom começo, porque finalmente a Peugeot decidiu fabricar no mercado sul-americano um carro atualizado tecnologicamente. Apesar de aportar por aqui só quatro anos depois do lançamento na Europa, o modelo chega em linha com o modelo europeu, incluindo a mais recente reestilização – algo bem diferente do que aconteceu com o 207 brasileiro, projetado só para o cliente local, com horas de engenharia a serviço do rebaixamento tecnológico em nome do custo menor.
Para lançar o carro na América do Sul a PSA Peugeot Citroën investiu € 120 milhões, principalmente para adaptar o 308 à realidade local, com ângulo de ataque ajustado para as ruas brasileiras (evitando assim as constantes raspadas comuns no 307), bateria e ar-condicionado mais potentes (para aguentar o calor tropical), vedações mais eficientes e pequenas modificações estéticas.
Contudo, em sua faixa de preço, com cinco opções de R$ 53.990 a R$ 70.990 (veja mais abaixo), o 308 está longe de resolver tudo. A estimativa é vender perto de 1 mil por mês, 12 mil por ano, e assim chegar perto da melhor marca do 307 em nove anos de mercado. Com esse volume o 308 fica ainda distante dos líderes do segmento, pela ordem o Fiat Punto (com 36,5 mil unidades vendidas em 2011), o Hyundai i30 (35,7 mil) e o Ford Focus (27,6 mil). “O 308 é um produto em linha com o que de melhor a Peugeot sabe fazer. É um segmento bastante disputado, mas confiamos nos diferenciais que oferecemos, a começar pelo preço, que não subiu em relação ao 307, apesar das diversas evoluções tecnológicas do modelo”, argumenta Carlos Gomes, presidente da PSA América Latina.
Entre esses diferenciais, a Peugeot espera aproveitar o “pedigree” do 308, que descende com melhorias genéticas do 307. Essa herança tem o tamanho de 76.373 unidades do hatch médio vendidos no Brasil desde o lançamento, em 2002. Segundo pesquisas da marca, o design felino (aprofundado no 308) foi o principal argumento de 45% dos compradores do Peugeot 307. Além disso, 92% das avaliações do carro foram positivas, com notas de zero a dez sempre acima de sete, com média de 8,3. Por isso, o raciocínio da Peugeot é que muitos dos clientes do 307 comprem agora o 308, confiando na evolução do DNA.
MELHORIAS

O interior do 308 tem visual limpo, é simples e confortável em todas as versões. O modelo topo de linha (acima), com câmbio automático, vem com teto panorâmico de 1 m2.
O 308 é mesmo uma edição ampliada e melhorada do 307, a começar pela garantia de três anos. Em um test drive de 150 km entre Belo Horizonte e Ouro Preto, o carro mostrou comportamento superior ao do predecessor, encaixando melhor nas curvas. Ambas as motorizações (1.6 de 122 cv ou 2.0 de 151 cv) são as mais potentes de suas respectivas categorias no País, o que torna a condução agradável e segura nas acelerações e retomadas, tanto na versão 2.0 com transmissão automática de quatro velocidades (esta também aprimorada em relação à do 307) como na 1.6 com o tradicional câmbio manual de cinco marchas.
O novo motor EC5 1.6 flex álcool-gasolina, fabricado em Porto Real (RJ), merece destaque por sua evolução tecnológica. Ele foi desenvolvido pela engenharia brasileira, com redução de atrito, válvulas de admissão variáveis, bomba de óleo de fluxo variável e bielas 400 gramas mais leves, entre outras soluções. Com tudo isso, segundo a Peugeot, ficou mais potente, mais leve e cerca de 7% mais econômico, ganhando cinco estrelas do Programa Nota Verde do Ibama. O sistema de injeção eletrônica fornecido pela Bosch pré-aquece o etanol antes da partida, aposentando de vez o velho tanquinho de gasolina para partidas a frio.
O novo hatch médio da Peugeot é alguns centímetros mais longo, mais largo e mais baixo do que o 307. Dois resultados práticos foram obtidos com isso. O primeiro é a estabilidade maior do 308. O segundo é o espaço interno mais confortável – que se torna muito agradável na versão equipada com o enorme teto panorâmico de vidro, de quase 1 metro quadrado, elevando a área envidraçada a 5 m2. O porta-malas também cresceu: seus 407 litros de volume o transformam em maior da categoria.
Desde a versão mais básica, a Active 1.6, o 308 tem ar-condicionado, freios com ABS e repartidor eletrônico de frenagem (REF), direção eletro-hidráulica, acionamento elétrico de vidros, travas e retrovisores e rodas de liga leve. As versões superiores têm controle eletrônico de estabilidade (ESP), podem ter até seis airbags e pacote de conectividade, com entrada USB e conexão bluetooth para celulares. Opcionalmente pode-se instalar o navegador embutido no painel.
A Peugeot espera que o mix de vendas seja dividido por igual, 50-50%, entre as versões 1.6 e 2.0, com a opção automática respondendo por cerca de 30% das compras. Quem comprar o 308 no período de pré-venda, até o próximo dia 7 de março, ganha as três primeiras revisões de graça, economizando R$ 799. Confira os preços divulgados das cinco versões:
• 308 Active 1.6 (manual): R$ 53.990
• 308 Allure 1.6 (manual): R$ 56.990
• 308 Allure 2.0 (manual): R$ 59.990
• 308 Allure 2.0 (automático): R$ 63.990
• 308 Feline 2.0 (automático): R$ 70.990