
“O mundo dá voltas”, já dizia o ditado e o título da canção, daquela banda de pop-punk nacional, um sucesso de outrora. Pois é. Em setembro de 2023, após lufada de ar fresco, Felipe Daemon, então vice-presidente da Peugeot, celebrava os 2,13% de participação de mercado em 2022 e previa que a marca de origem francesa fosse atravessar momento de crescimento nos anos vindouros.
Após algum tempo com baixa expressividade nas vendas, a empresa, sob tutela da Stellantis, havia, enfim, retornado ao top 10 de marcas mais vendidas do país. Posto que, às duras penas, segurou em 2023 – quando viu seu share passar de 2,13% para 1,6%. Agora, em 2024, com a investida das companhias chinesas e prejudicada pela greve no Ibama, a Peugeot se vê, mais uma vez, fora da lista das 10 marcas que mais vendem carros no Brasil.
Isso porque a marca fechou o janeiro-julho deste ano com apenas 14.665 licenciamentos. Tal número a coloca na 16ª posição na lista no ranking de licenciamento de automóveis e comerciais leves. Preocupante? Talvez. No entanto, Fabiana Figueiredo, atual vice-presidente da Peugeot, demonstra otimismo ante o cenário instável.
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“De 2020 para cá nós mais que duplicamos nossa participação de mercado. No entanto, as questões referentes ao Ibama nos prejudicaram bastante. Somos a marca mais mais impactada por essa questão e hoje estamos fazendo um esforço enorme para entregar os volumes adequados”, disse a executiva. “É claro que temos ambições, mas não falamos em prazo para top 10. O que queremos, de fato, é retomar os volumes, bem como o crescimento que vínhamos tendo desde 2020”, completou.
A vice-presidente da Peugeot crê que o 2008, lançado recentemente, seja um ponto de virada no ano da marca no país. “É um produto que chega muito alinhado com a necessidade de mercado, com a necessidade do cliente. Acreditamos que irá contribuir fortemente para essa crescente da marca”, comentou Fabiana. “Trabalhamos três anos neste lançamento, para entrarmos fortes neste que é o maior segmento, e acreditamos que iremos obter bons resultados”, acrescentou.
Frotistas já estão “de olho” no novo 2008
Embora o foco inicial seja a comercialização para o cliente final, a Peugeot diz que frotistas, em especial locadoras, estão com os olhos voltados para o novo 2008. “Sempre buscamos oportunidades, principalmente com essas grandes contas. Quando tivermos uma estratégia final divulgaremos. Hoje, porém, nosso foco é o cliente final”, disse a vice-presidente da marca que pertence à Stellantis.
Vale ressaltar que vendas diretas foram fundamentais para que a Peugeot voltasse ao top 10 entre as mais vendidas do país. Em 2023, por exemplo, a antiga geração do 2008, morimbunda, teve 1.728 licenciamentos no janeiro-dezembro. Destes, 829 foram vendas diretas.
O caso do 208 é mais interessante se levarmos em consideração, evidentemente, o volume. Dos 28.629 emplacamentos do hatch em 2024, 17.074 foram realizados por meio de vendas diretas.
Não à toa, fontes ligadas aos setores de compras de duas das maiores locadoras do país apontaram que já conversam com a Stellantis acerca do novo Peugeot 2008. “Já estamos analisando o custo de aquisição [do SUV compacto]. É um produto que agrega ao nosso portfólio, tanto na BU [unidade de negócio] de locação, quanto na de veículo de assinatura”, confidenciou interlocutor à reportagem da Automotive Business.
208 reestilizado e eletrificação: Passos da Peugeot rumo ao top 10
Além, claro, da aposta na nova geração do 2008, a Peugeot deposita suas fichas em algumas casas importantes em 2024 e em 2025. A primeira delas é o 208. A reestilização do hatch será lançada ainda este ano e promete movimentar o mercado com seu visual inspirado no modelo europeu e uma nova versão com pegada esportiva: a GT.
“O 208 é um produto extremamente importante para nós. Em muito breve ele [o modelo reestilizado] vai chegar e teremos uma composição de gama muito interessante para para continuar atuando de forma relevante no mercado”, salientou Fabiana Figueiredo.
A vice-presidente da Peugeot também fez questão de reforçar que a marca terá modelos híbridos no Brasil já em 2025. A CEO da companhia, Linda Jackson, já havia adiantado tal informação aos colegas de Motor1. Quando questionada acerca do modelo que irá estrear tal tecnologia no país, contudo, a executiva, experiente, se esquiva.
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“Você citou produtos de muito sucesso [3008, 2008, 208]. O 3008, inclusive, está ainda em nosso portfólio. O que posso dizer é que teremos híbridos em 2025 e estamos analisando as oportunidades. Nosso foco agora está em 2008 e 208, mas já estamos olhando para a eletrificação, para a multienergia”, declarou a vice-presidente da Peugeot.
Como “o mundo dá voltas”, às vezes, sem alardear, a Peugeot pode voltar a figurar entre as 10 marcas que mais vendem carros no país até mesmo antes da projeção mais otimista. Entre todos os singles, basta um hit.
