
Agora independente da BorgWarner, a Phinia quer reforçar a marca e participação no mercado brasileiro de autopeças e tecnologias para montadoras e o mercado de reposição. A companhia investe R$ 30 milhões localmente em 2023. Do total, R$ 10 milhões vão para a fábrica da companhia em Piracicaba (SP).
O complexo industrial da companhia tem grande intimidade com a indústria automotiva brasileira, inaugurado em 1991, apenas ganhou o emblema Phinia recentemente. A planta começou como um empreendimento da Delphi, que passou por cisão em 2017 e criou a Aptiv, foi comprada pela BorgWarner em 2020, rebatizada de Phinia e, enfim, em julho de 2023, se tornou uma empresa independente, com ações negociadas na bolsa de Nova York.
Com tantas movimentações recentes, é natural que a ambição seja fortalecer a posição no mercado. Sem revelar detalhes, a empresa aponta que planeja ampliar a oferta de produtos e de clientes no ano que vem. Atualmente, as peças da companhia abastecem linhas de produção de marcas como Volvo, Scania, Mercedes-Benz, Hyundai e General Motors.
Para dar conta do recado, a fábrica da Phinia no interior paulista emprega 1,2 mil trabalhadores e opera atualmente em três turnos de produção para entregar 11 milhões de componentes por ano.
Ali são feitos sistemas de combustível, incluindo para propulsores flex fuel e diesel – neste último caso, há grande aposta em uma linha de remanufaturados, além de bombas injetoras e sistemas common rail.
Phinia quer ter no Brasil polo de soluções de baixo carbono e baixo custo
Entre fusões e cisões, a organização destaca acumular mais de um século de experiência na indústria automotiva. Com presença em 20 países, a companhia detém o controle das marcas Delphi, Delco Remy, e Hartridge.
A empresa não revela qual é a participação do Brasil em seu faturamento global, mas a região das Américas responde por 40% das receitas, com contribuição relevante do país, segundo o Amaury Oliveira, vice-presidente vice-presidente de aftermarket da Phinia para a América do Sul.
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O executivo lembra que o Brasil é polo de produção, tem mercado interno relevante, mas também representa um centro de exportação a outros mercados, como países da Europa e da Ásia. O executivo aponta que o país deve se consolidar com o fornecimento de soluções de baixo carbono para a mobilidade, porém intermediárias, de baixo custo – algo que atende à demanda de países emergentes.
Globalmente, a empresa eleva a parcela do faturamento destinada ao investimento em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D): em 2020, 3,1% das receitas foram aportadas nessa área, porcentual que aumentou para 4,4% em 2022. O foco, assim como em todas as empresas do setor automotivo, está na descarbonização e redução do impacto ambiental dos veículos.
Remanufatura para atender agenda ESG (e o bolso)
Dentro do apelo sustentável e de baixo custo, a companhia enfatiza a oferta de componentes remanufaturados, com injetores common rail para veículos Mercedes-Benz, a linha HR da Hyundai, e injetores EUI para caminhões Volvo.
As peças têm certificação de qualidade e o apelo ESG (governança ambiental, social e corporativa) que todas as montadoras têm buscado por reduzir desperdício e reforçar a economia circular. Cálculo da empresa indica que a remanufatura demanda entre 50% e 70% menos matéria-prima e cerca de 85% menos energia elétrica do que a fabricação de um componente do zero.
Outro apelo importante é o bolso. Segundo Bruno Gomes, gerente de ESG e equipamentos originais da Phinia, o custo para o cliente pode ser até 60% menor do que um similar novo. “Realizamos o processo de remanufatura seguindo exatamente os mesmos critérios adotados na produção de componentes novos. Nossa linha Reman oferece a mesma garantia das demais”, reforça.

Centro de treinamento Delphi
Na empreitada de fortalecer uma nova marca para uma empresa já tradicional, a Phinia também se aproxima dos mecânicos e profissionais que, lá na ponta, definem a escolha do cliente por uma peça ou componente da companhia. A empresa inaugurou Centro de Treinamento Delphi em sua fábrica de Pìracicaba com 300 metros quadrados e a meta de oferecer até 25 cursos mensais.
É a primeira iniciativa do tipo da Phinia na América Latina. Entre pagos e gratuitos, a unidade oferecerá treinamentos de técnico comercial com foco em diesel, suspensão e direção, híbridos e elétricos, entre outros. O objetivo é formar 200 alunos já em 2023 e, no ano que vem, passar a oferecer formações on-line e híbridas, ampliando a carteira de cursos para áreas como marketing, atendimento ao cliente e finanças.
