O crescimento do PIB no ano passado foi sustentado pelo setor de serviços, que registrou expansão de 1,7% contra 2011, enquanto indústria e agropecuária tiveram recuo de 0,8% e 1,7%, respectivamente. A formação bruta de capital fixo ou investimentos caiu 4% na mesma comparação. Na avaliação isolada do quarto trimestre de 2012, houve expansão de 0,6% sobre o trimestre imediatamente anterior e de 1,4% com relação ao último trimestre de 2011.
O ministro Guido Mantega minimizou o baixo crescimento do PIB e avaliou que embora o resultado tenha ficado abaixo das expectativas, houve aceleração da atividade econômica ao longo do ano.
“Foi um ano de PIB mais baixo, abaixo das nossas expectativas, porém em uma trajetória positiva, uma trajetória de aceleração que vai continuar e nos levar aos objetivos de crescimento que nós estabelecemos para o Brasil. Deverá se acelerar ao longo de 2013”, disse.
O ministro lembrou que 2012 iniciou com baixa atividade: o primeiro trimestre do ano registrou aumento de 0,1%; o segundo, de 0,3%; o terceiro, 0,4%, fechando o ano com 0,6%. “Portanto, uma nítida recuperação da economia brasileira em 2012. Foi um ano de crise, parecido com o ano de 2009, quando o PIB foi negativo em 3%, mas, dessa vez, tivemos um PIB positivo.”
Segundo Mantega, houve aceleração gradual da economia e em 2013 a trajetória se manterá, tomando como base os dados de investimentos, que voltaram a reagir no fim do ano passado.
“O que mostra esse baixo investimento, essa baixa formação bruta de capital fixo é a queda das vendas de caminhões em 2012. A construção civil cresceu, mas houve a venda baixa de caminhões em 2012 devido à entrada da nova norma de emissões que exige caminhões mais tecnológicos e menos poluentes, o que fez subir o custo do produto em 15%. A situação só começou a se reverter no fim do ano e em 2013 o setor de caminhões contribuirá para que tenhamos uma forma bruta de capital fixa mais elevada, um investimento mais elevado.”
Mantega ressaltou ainda que, embora 2012 tenha sido um ano de crise internacional, com crescimento fraco na maioria dos países e desaceleração do crescimento econômico, para a maioria da população brasileira foi um ano bom e satisfatório.
“A crise internacional não bateu à porta da família brasileira. Nós tivemos a criação de 1,3 milhão de postos de trabalho. A massa salarial cresceu 6% ao ano, o que não é pouca coisa. O aumento real de renda da população chegou a 4% e houve o aumento do financiamento para habitação, em 35%. Isso significa que população está adquirindo mais moradia e automóveis: este último item teve crescimento de 6% em 2012.”
O ministro admitiu que é preciso fazer mais em 2013 e lembrou que as medidas que têm sido adotadas para combater a crise demoraram mais tempo para surtir efeito no ano passado em função da crise internacional. Segundo ele, o Brasil teve mais dificuldade de exportar, mas as projeções indicam um cenário internacional mais favorável.
“A crise internacional está superada do ponto de vista financeiro. A economia mundial deverá crescer mais, com mais mercados para que a indústria brasileira possa vender os seus produtos, que teve dificuldade de exportar manufaturados em 2012, pois os mercados estavam fechados”, concluiu.

REPERCUSSÃO
O baixo nível de avanço do PIB em 2012 preocupou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), principalmente pelo desempenho negativo da indústria, que fechou o ano com queda de 0,8%. Para o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, a aceleração do crescimento depende da expansão dos investimentos e do aumento da competitividade.
“A agenda do investimento no Brasil é extensa e deve incluir incentivos à poupança interna e a conciliação dos instrumentos das políticas cambial, monetária e fiscal”, disse em nota. O executivo também destacou que o País deve elevar os investimentos públicos para garantir o êxito dos programas de concessão e das parcerias público-privadas nas obras de infraestrutura.
Segundo os dados do IBGE, a participação da indústria no PIB caiu de 27,5% em 2011 para 26,3% no ano passado. Na indústria de transformação a participação recuou de 14,6% para 13,3% na mesma comparação. Para a CNI, a retração da indústria é resultado de uma conjuntura de fatores que aumentaram os custos de produção e reduziram a competitividade, caracterizada pelo descompasso entre a expansão 3,1% do consumo e queda de 4% dos investimentos. A participação dos investimentos ou formação bruta de capital fixo fechou o ano com participação de 18,1% contra 19,3% em 2011. De acordo com a CNI, esse é o menor índice de investimento entre os países do Brics: na China, os investimentos representam 47,8% do PIB, na Índia, 36%, Rússia, 23,5% e na África do Sul, 21%.
Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, atribui a perda de competitividade ao câmbio, considerado desvantajoso para a competição externa do maquinário brasileiro, incentivando as importações. Ele lamenta o desempenho do PIB, mas diz que já era aguardado pela associação.
“Enquanto (o governo) não mexer no tripé do mal, formado por juros, tributos e câmbio, esse País nunca vai crescer”, disse.
O dirigente afirma ainda que o avanço de 0,4% do PIB da indústria no quarto trimestre com relação ao terceiro é explicado pela alta importação de máquinas e equipamentos. “Como pode um País que tem quase pleno emprego e recorde de arrecadação não crescer? Porque a demanda interna está suprida pelo mercado externo”, explicou.
Apesar do resultado, o presidente da Abimaq projeta um 2013 melhor: “Nada para comemorar. Vai crescer, mas não o que precisa”. Ele também disse que o primeiro trimestre deve ser ruim para a indústria, que deve começar a reagir apenas a partir do segundo trimestre.