
Pimentel, engenheiro pela FEI, com máster em administração e finanças pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, tem uma longa carreira na indústria automobilística associada à Ford, trabalhando nas áreas de veículos leves e caminhões. Ele foi contratado pela montadora em 1980 para dedicar-se à engenharia de produtos, o que lhe deu a oportunidade de atuar como engenheiro no desenvolvimento dos caminhões Cargo, Escort e ônibus.
De 1991 a 1995, Pimentel foi gerente de compras da operação de caminhões e de assistência técnica aos fornecedores. Em 1996 assumiu a gerência do Programa Ranger, na Argentina, onde permaneceu até 1997. Em seguida, juntou-se ao Programa EcoSport, atuando na Inglaterra, Estados Unidos e finalmente em Camaçari (BA). Antes de assumir a posição de diretor de compras da Ford América do Sul, foi diretor de compras na Argentina.
400 MIL CAMINHÕES
Pimentel foi apresentado à imprensa como novo diretor de operações para caminhões durante evento que comemorou a montagem de 400 mil unidades na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Ele assume a nova posição em momento de fragilidade do mercado de caminhões, que recuou 42% de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado. A Ford, no entanto, ressalta que ganhou market share: “Nossas vendas caíram bem menos, na casa dos 15%”, disse Pimentel.
A Ford foi a terceira colocada no ranking nacional de vendas de caminhões no acumulado de janeiro a maio, com 19% de participação, tendo à frente a MAN (26,93%) e a Mercedes-Benz (25,17%). Depois dela vêm a Volvo (11,37%), Scania (6,72%), Iveco (6,19%) e Hyundai (2,45%).
O diretor de operações estima que as vendas de caminhões no País este ano devem somar 85 mil a 90 mil caminhões. “Os meses de janeiro e fevereiro foram horríveis; o segundo semestre poderá sinalizar uma retomada, que se concretizará em 2016”, projeta, destacando o avanço da marca no segmento dos leves. Ele acredita também que haverá dinheiro do Finame para abastecer o crédito destinado a caminhões.
A Ford lidera o segmento de semileves com o F350, que emplacou 711 unidades até fim de maio e teve participação de 44,05%. No segmento dos leves, o Ford Cargo 816 é o segundo colocado, com 1.368 unidades vendidas e participação de 16,33% (atrás do VW 8.160, que acumulou 1.790 unidades no ano e market share de 21,36%). Entre os médios a liderança foi do Ford Cargo 1119, com 854 emplacamentos e 30,24% de participação. Já o Ford Cargo 2429 teve 665 unidades vendidas no ano, com 9,5% de market share, o que lhe garantiu o quarto lugar entre os semipesados. Os dados são do Renavam.
FENATRAN? TALVEZ
Enquanto algumas marcas de caminhões já asseguraram que não vão participar da Fenatran – Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga (Anhembi, São Paulo, 9 a 13 de novembro), a Ford ainda não tomou decisão a respeito. “Devemos definir uma posição até julho, avaliando os benefícios que a exposição pode trazer”, explica João Pimentel. Ele não esconde o valor do investimento necessário para estar na feira, próximo de R$ 10 milhões.
O que pode motivar a Ford a dizer sim à Fenatran é o número significativo de caminhões na fila de lançamentos. Há seis novidades a caminho no segmento de médios a pesados, com sistemas automatizados. Além disso, a presença no salão seria uma forma de motivar a rede de revendedores, que já conta com 140 pontos no País.