
Segundo Luiz De Luca, diretor executivo de operações da DAF Brasil, 79% dos atuais fornecedores estão instalados em São Paulo. Os demais estão espalhados entre as regiões sul e sudeste do País. Atualmente, a DAF conta ainda com 160 empresas de autopeças europeias, de países como Holanda, Alemanha e Bélgica, que enviam os componentes por meio do porto de Paranaguá, também no Paraná. “Os parceiros selecionados para o Brasil já forneciam para plantas europeias da DAF”, comentou o diretor durante apresentação do XF 105 na terça-feira, 10 (leia aqui).
PARCEIROS
A Tupy foi escolhida para fundir o bloco e o cabeçote do motor do XF 105, que depois deste processo é enviado à Holanda para ser montado pela sede da DAF e volta a Ponta Grossa para equipar o caminhão. A Automotiva Usiminas (recentemente adquirida pela Aethra) solda, pinta e monta todas as peças estampadas da cabine do veículo pesado em sua sede em Pouso Alegre.
O chassi do caminhão pesado é fabricado pela Metalsa. O eixo traseiro, pela Meritor. O eixo dianteiro, pela própria DAF. A suspensão é da Suspensys. Caixas de câmbio e direção são da ZF. Os pneus escolhidos são feitos pela Goodyear. Caberá à Cargo Lift transportar todas as peças dos caminhões DAF pelo País.
Luiz De Luca explicou que parte dos US$ 320 milhões investidos pela DAF no Brasil, entre 2012 e 2013, foi usada para desenvolvimento de logística das peças e também para capacitação dos fornecedores. Desse total, US$ 200 milhões foram aplicados especificamente na planta de Ponta Grossa para início da produção do XF 105.
CAPACIDADE PRODUTIVA
Erguida em uma área de 2,3 milhões de metros quadrados, a planta ocupa atualmente apenas 20% do terreno e está pronta para crescer e receber a produção de diversos modelos, de acordo com o diretor. “A unidade pode produzir inicialmente 5 mil veículos por turno a cada ano, mas já tem capacidade instalada para 10 mil”, apontou.
A unidade adotará sistema mundial de manufatura da Paccar. Com a ajuda do Senai foram recrutados 150 funcionários, número que deve saltar para 300 já em 2014.
O diretor de operações diz que a DAF planeja fazer um caminhão por dia nos meses de outubro e novembro e dois em dezembro, chegando a quase 200 unidades até o fim do ano. Em 2014, o objetivo é produzir 2,5 mil unidades do XF 105 na planta paranaense.
Ainda no ano que vem, uma nova família, a CF, de caminhões médios e pesados, deve entrar em produção em Ponta Grossa, além de novas versões do XF 105, como a equipada com teto mais alto e a com pacote de suspensão pneumática. Entre 2015 e 2016, é esperada a produção da linha de leves LF, de modelos urbanos usados em pequenas distâncias. “Mas o ingresso da DAF neste segmento ainda vai depender da aceitação da marca no mercado brasileiro e também do desempenho dos novos players, principalmente os chineses, que estão chegando no País”, admitiu o diretor. O executivo acrescentou que enquanto não chegar a 30 mil caminhões por ano, a DAF não terá uma fábrica de motores no Brasil.
DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS E CONCESSIONÁRIAS
Um centro de distribuição de peças para suprir a rede de concessionárias já está nos planos. Em dois anos a empresa prevê a sua construção em área específica do próprio complexo paranaense. Por enquanto, todas as peças dos caminhões DAF ficarão estocadas próximo à linha de montagem.
O número de concessionárias – hoje já são 20 unidades de 14 grupos empresariais – deverá crescer anualmente, chegando a 75 lojas em quatro anos, de acordo com as expectativas de Michael Kuester, diretor comercial da DAF do Brasil.