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Poeira começa a baixar no Salão de Detroit

Com mais tempo este ano para se adaptar ao mercado de veículos em queda livre, os organizadores do Salão de Detroit – nome oficial, Salão Internacional do Automóvel da América do Norte, aberto ao público de 16 a 24 de janeiro – se reorganizaram, criaram eventos paralelos, mas tiveram de cancelar um dos três dias reservados à imprensa. Agora são dois dias, como nos outros salões, pela ausência de vários expositores. Por razões financeiras, deixaram de aparecer Nissan, Mitsubishi e Suzuki, entre outros. Entre as grandes chinesas só a BYD compareceu.
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21 jan 2010

4 minutos de leitura

No ano passado, contando a produção de caminhões e ônibus, as vendas internas na China passaram pela primeira vez a dos EUA. Se considerados apenas automóveis e comerciais leves (lá, eles enquadram nessa categoria minivans, picapes e utilitários), as 10,4 milhões de unidades comercializadas ainda garantem uma apertada liderança mundial. Os números de 2009 remetem a 1982, muito distante do recorde de 17,4 milhões de veículos há quatro anos. Em vendas per capita, porém, o mercado recuou para o nível de 1950.

Ainda assim, os EUA concentram um percentual superior a 40% de compradores fiéis de picapes, utilitários (SUV) e crossovers (lembram utilitários, mas têm chassis de automóveis). Esse percentual já foi maior e tende a encolher em razão do aperto do governo sobre os fabricantes a fim de diminuir o consumo de combustível. Picapes médias, como Ford Ranger e Chevrolet Colorado, caíram muito. O sucesso da Toyota Tacoma, líder incontestável desse segmento, levou a empresa japonesa a cogitar de um modelo menor. Há apenas estudos dentro de sua marca jovem, Scion, comercializada só nos EUA, que enfrenta dificuldades antes mesmo da crise atual. A picape compacta seria derivada do monovolume xB.

MINI BEACHCOMBER

Apresentado de forma rudimentar no Salão de Paris de 2008 e evoluído em Frankfurt, ano passado, o Beachcomber (catador de praia, em tradução livre) apareceu em Detroit com formas quase definitivas. Trata-se de mais um passo audacioso da Mini, marca inglesa pertecente à BMW. A empresa ainda não confirmou a data de produção (2012, possivelmente), nem a mecânica, porém utilizará tração 4×4.

Inspirado no Mini Moke, de 1964, captura o espírito aventureiro, sem portas e teto, como um buggy. O carro tem quatro bancos individuais, acabamento específico, suspensões elevadas e estepe pendurado na traseira. A versão de produção receberá portas e teto de plástico opcionais que podem ser encaixados, além da capota de lona semelhante à de buggies.
O Beachcomber deverá usar a mesma arquitetura inédita do Mini Countryman, crossover que estreia em 2011.

JEEP WRANGLER E LIBERTY

Na ausência absoluta de novidades em função da crise que levou o grupo Chrysler à recuperação judicial e à associação com a Fiat, no ano passado, coube à divisão Jeep levar modestas contribuições ao Salão de Detroit. O Liberty, conhecido aqui por Cherokee, resgatou o nome Renegade lançado em 1964. Há uma série de novos detalhes de acabamento, decoração (aplique preto fosco no centro do capô) e acessórios, além de cores exclusivas. O sistema de tração total é o Selec-Trac II de controle ativo eletrônico, bem conhecido da marca.

O tradicional Wrangler oferece duas séries especiais. Islander é referência de duas décadas atrás. A decoração inclui um decalque nas laterais do capô com coordenadas reais de latitude e longitude de uma ilha. Já Moutain segue a mesma fórmula com adesivo semelhante só que as coordenadas se referem a uma montanha.

HYUNDAI SANTE FE

A versão 2010 para os EUA do crossover Santa Fe, que começou a ser vendida só em janeiro, apresenta apenas leves retoques na parte frontal, na grade e para-choque. Mas há um motor de 4 cilindros, de segunda geração, 2,4 litros e 175 cv, que melhorou a economia de combustível: 8,5 km/l (cidade) e quase 12 km/l (estrada), câmbio manual, dados da Hyundai. Permanece o motor V6 de 3,3 litros, 276 cv, cambio automático, com número médio de consumo quase igual, apesar do ganho de 34 cv em relação ao V6 anterior.

Um das vantagens do chassi monobloco específico do Santa Fe é a capacidade de manobra. O diâmetro de giro é de apenas 10,8 metros, muito bem para um veículo de distância entre eixos de 2,70 m e 4,67 m de comprimento. Na versão 4×4 o diâmetro de giro aumenta para 11,3 m, ainda muito bom.