
Nesta sexta-feira, 8, a Polícia Civil do Rio de Janeiro fez uma operação para desarticular um esquema do Comando Vermelho na capital fluminense. Os traficantes de uma das maiores organizações crimonosas do estado, e que dominam a comunidade Vila Kennedy, na zona oeste, mantinham um app chamado Rotax Mobili, criado por eles, e obrigavam os mototaxistas da região a utilizá-lo.
Batizada Rota das Sombras, a operação policial tem o objetivo de cumprir sete mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais de fachada e residências. De acordo com as estimativas da polícia, os lucros da quadrilha com as viagens de aplicativo geravam cerca de R$ 1 milhão por mês.
Como funcionava o app de transporte dos bandidos
A operação do aplicativo era dividida em duas frentes, segundo a polícia: uma eram as ameaças e extorsões para que os mototaxistas utilizassem o aplicativo. A outra era o recebimento e gerenciamento dos valores arrecadados, que eram integralmente revertidos ao chefe do tráfico local.
O app, que estava em operação há cerca de três meses, tinha até slogan: “O único aplicativo de viagens de carro e moto que passa pela barricada e te deixa na porta de casa”.
As barricadas, no caso, são clandestinas, instaladas pelos próprios traficantes, e impedem que motoristas de aplicativos legalizados circulem nas áreas dominadas pelos criminosos.
As investigações apontam que mais de 300 motoristas estavam cadastrados no serviço ilegal. O app estava disponível gratuitamente na Google Play Store, mas agora foi removido.
De acordo com informações da revista “Veja”, até o fim da manhã desta sexta, 8, quatro pessoas haviam sido presas em diligências não só na cidade do Rio, mas também em Niterói, São Gonçalo e Rio Bonito. Um dos alvos era Jorge Alexandre, conhecido como Sombra. Uma central clandestina também foi desmontada.
A ação para desmantelar a estrutura logística e financeira usada pela quadrilha para controlar territorialmente a mobilidade urbana na região é coordenada pela 34ª DP (Bangu), com apoio do 2º Departamento de Polícia de Área (DPA).
As diligências contam ainda com equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Baixada (DGPB) e do Interior (DGPI).