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Política para carros elétricos chega apenas em 2014

Em 2014, o governo deverá adotar medidas que tornarão viável a venda de carros elétricos no Brasil. O possível anúncio de condições especiais para a importação e produção local desse tipo de veículo será consequência de proposta apresentada pela Anfavea, associação dos fabricantes do setor, ao ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no início de julho.
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Giovanna Riato

02 set 2013

3 minutos de leitura

O governo teria recebido bem a proposta, mas as definições não ficarão prontas este ano porque ainda há regulamentações pendentes do Inovar-Auto, que precisam ser anunciadas antes. As linhas gerais do Inovar-Autopeças, pacote de incentivos para a cadeia produtiva, também tem prioridade.

Para estimular as vendas de carros elétricos no Brasil, a Anfavea sugeriu que fossem determinadas cotas de importação com isenção do IPI para este tipo de modelo. Na proposta da entidade, em 2013 cada montadora poderia trazer 450 unidades do exterior com a desoneração. Esse volume subiria para 2,4 mil por empresa até 2017.

Recentemente o presidente da Anfavea, Luiz Moan, contou que a associação aguarda ser chamada para uma segunda reunião sobre o tema. Segundo ele, a proposta para modelos com propulsão alternativa já foi debatida em três reuniões internas no governo.

EXPECTATIVAS


A viabilidade dos carros elétricos foi um dos temas debatidos durante o simpósio Tendências e Inovação na Indústria Automobilística, realizado pela SAE Brasil na segunda-feira, 2. Em apresentação no evento, Antonio Calcagnotto, diretor de relações institucionais e governamentais da Renault-Nissan, lembrou que hoje, entre 15% a 20% da energia gerada é destinada à mobilidade. Segundo ele, esse porcentual tem de diminuir.

O executivo destacou estudo encomendado pela presidente Dilma Rousseff à Itaipu Binacional. O levantamento mostrou que, se 10% da frota nacional de veículos fossem de modelos com propulsão elétrica, o impacto no consumo de energia seria inferior a 2%. Para ele, a pesquisa mostra que a tecnologia é viável no País.

A aliança Renault-Nissan é a primeira empresa a concretizar a venda de carros zero emissão no Brasil. No fim de agosto a companhia forneceu dois veículos elétricos à CPFL energia. Outras quatro unidades deverão ser compradas até o fim deste ano. Calcagnotto estima que os modelos com a tecnologia responderão por 2% do mercado nacional nos próximos anos. Globalmente esse porcentual deve chegar a 5%.

O diretor acredita que, caso o governo aprove a proposta da Anfavea, o caminho para a eletrificação será mais natural. Segundo ele, um Nissan Leaf, por exemplo, que hoje chega ao Brasil por R$ 210 mil, teria o preço reduzido para cerca de R$ 90 mil com a desoneração do IPI. Caso a empresa iniciasse a produção local do carro, o preço poderia cair para R$ 70 mil. “Assim ele seria competitivo, já que o gasto com combustível é bem menor”, avalia.

Para Calcagnotto, as vendas desse tipo de carro seriam bem maiores para frotistas do que para o cliente final. “Acredito que o governo pode desonerar impostos para este tipo de veículo, mas não espero que ele coloque mais dinheiro nisso, como acontece em outros países.” O diretor lembra que os motores a combustão ainda têm vida longa na indústria automotiva, com ganho de eficiência, e que a eletrificação acontecerá paralelamente.