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Lay-off

Por falta de chips, Renault prepara PDV e lay-off na fábrica do Paraná

A Renault articula ajustes no seu quadro de funcionários da fábrica de São José dos Pinhais (PR) e aplicação de lay-off na unidade, onde são produzidos os modelos Kwid, Sandero, Logan, Duster, a picape Duster Oroch, o SUV Captur e o utilitário Master, além de blocos e cabeçotes de motor.
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Bruno de Oliveira

30 set 2021

3 minutos de leitura

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A montadora justifica a adoção do pacote de medidas, aprovado pelos funcionários na quarta-feira, 30, com a escassez de semicondutores, que tem promovido paradas de produção nas montadoras instaladas no País.


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Pelos cálculos da montadora, é preciso reduzir 550 postos de trabalho nas áreas de produção da fábrica, que emprega cerca de 5 mil funcionários. Com isso, o pacote envolve Plano de Demissão Voluntária (PDV) e, também, um Plano de Demissão Involuntária (PDI).

No caso do PDV a expectativa da empresa é a de adesão de 250 funcionários. Serão oferecidos pagamentos de 10 salários, verbas rescisórias e plano de saúde ativo por seis meses. Caso não seja atingida a meta de voluntários, entra em ação do PDI, com pagamento de cinco salários, verbas rescisórias e convênio ativo por 4 meses. A montadora não informou, no entanto, até quando pretende reduzir o seu quadro.

Em termos de ajustes de produção, foi aprovado lay-off com prazo inicial de 5 meses e 85% do salário líquido para a 1ª turma.  Para as outras turmas, haverá garantia de 70% do salário líquido. Também foi aprovada redução de jornada, mantendo até 18 dias por ano e no máximo o desconto de 3 dias por mês. A Renault informou que a suspensão dos contratos de trabalho envolverá 300 funcionários “ao longo dos próximos meses conforme a necessidade”.

Ao longo do ano a falta de peças levou a montadora a paralisar temporariamente a produção por dois dias em fevereiro. Em março, anunciou um novo programa de investimento de R$ 1,1 bilhão no País, para renovação de cinco produtos e introdução de versões com motor turbo até o primeiro semestre de 2022.

Em julho, concedeu férias coletivas por quase três semanas para os trabalhadores da unidade em função da falta de semicondutores.

“A crise de componentes a nível mundial, da indústria brasileira, do setor, tem feito com que as empresas perdessem a competividade. Os trabalhadores novamente precisam investir para garantir emprego, concedendo INPC em troca de abono, aceitando um PDV e redução de jornada para deixar a empresa mais competitiva. São os trabalhadores que estão buscando as soluções. Os governos que aí estão não estão fazendo nada”, Sérgio Butka, presidente do sindicato dos metalúrgicos local.

A redução de um efetivo considerado pela montadora como excedente é tema de discussão desde julho do ano passado, quando se chegou a um número de 800 funcionários a mais para a atual demanda de produção da fabricante.

Naquele momento, a empresa fechou o terceiro turno da fábrica de São José dos Pinhais e demitiu, portanto, 747 funcionários.