
A BYD quer produzir veículos na Bahia mas é preciso ainda discutir pontos importantes que envolvem a operação, como a companhia afirmou na sexta-feira, 28. Dentre esses itens que estão à mesa de negociações está a ampliação de uma linha férrea existente para atender às demandas da montadora e, também, eventuais pagamentos à Ford.
À Automotive Business, o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Camaçari, Julio Bonfim, contou que a Ford poderia pleitear uma espécie de ressarcimento por melhorias feitas na unidade que, vale lembrar, é integrante de um pacote de concessões feitas pelo governo do estado em 2002, quando foi inaugurada para iniciar o Projeto Amazon, que envolvia a produção do EcoSport.
“A Ford terá de entregar a fábrica porque o terreno e a estrutura pertencem ao governo da Bahia, uma vez que, pelo contrato de concessão firmado na época, a montadora se mantém proprietária dos ativos apenas se seguir com atividade produtiva, o que não é o caso”, disse o representante da entidade na sexta-feira, 28. “O maquinário ela já retirou do local.”
BYD precisa adequar fábrica da Ford na Bahia
Bonfim disse, ainda, que a BYD se instalaria no local nos mesmos moldes da Ford, por meio de concessão estadual. Haveria, portanto, a necessidade de uma readequação da unidade para que ali seja realizada a produção de veículos elétricos, como a instalação de novos prédios e, eventualmente, uma preparação do terreno para a chegada de fornecedores.
De acordo com o presidente do sindicato, as contratações devem priorizar ex-funcionários da Ford Camaçari, considerando a experiência que acumulam em linha de produção.
Até a divulgação da assinatura do acordo de intenções, BYD e o governo da Bahia já mantinham relacionamento próximo: afora lotes de ônibus elétricos da marca comprados pelo estado, o então governador Rui Costa havia visitado as instalações da montadora em São Paulo. Segundo o presidente do sindicato, a Great Wall também havia manifestado interesse em se instalar no estado, mas acabou optando por Iracemápolis (SP).
Uma outra questão que pesa nas negociações, segundo o presidente do sindicato, é a corrida eleitoral para governador do estado, tanto que os pontos que estão sendo discutidos devem ser definidos a partir da escolha de um novo representante. Jerônimo Rodrigues (PT) foi eleito no último domingo, 30, e será o responsável por conduzir as conversas.
