
Por Paulo Cardamone
- > Vendas de automóveis e comerciais leves atingiram 180 mil unidades em setembro. A média diária de vendas alcançou o patamar de 8.591, igualando-se ao mês de agosto (melhor mês até então, com maior volume total pelos 23 dias úteis) demonstrando sinais de recuperação do mercado. Essa média de vendas é 26% superior às 6.790 unidades diárias de setembro de 2021.
- > A participação de vendas diretas segue alta, em 50%, pouco abaixo dos 53% alcançados em agosto de 2022. Isso significa uma evolução no desempenho das vendas showroom ao mesmo tempo que um pequeno arrefecimento das vendas a locadoras.
- > A projeção do mês esteve alinhada com os resultados reais durante todo o período, fortalecendo a estimativa de 1,97 milhão de vendas até o fim do ano.
- > As vendas no varejo puro tiveram um leve aumento em setembro, com 4.465 unidades diárias. De uma média de 3.956 em agosto.
- > O estado de São Paulo continua aumentando sua participação nos emplacamentos, em função da menor alíquota do IPVA aplicada a empresas com frota de aluguel, principalmente locadoras.
- > Os SUVs retornaram à liderança, com quase 34,5% das vendas, seguidos de perto pelos hatchbacks com 32,5%. Vale apontar o crescimento de picapes neste mês, que superaram 17% enquanto tem 16,9% na acumulado do ano.
- > A participação de eletrificados se manteve em alta, correspondendo a 3,4% das vendas totais. Também em função do fechamento do período de mensuração do Rota 2030, destacamos o crescimento das vendas de eletrificados (liderado por emplacamentos da Caoa Chery), correspondendo a 0,8% e 1,1% do mercado, versus 0,4% e 0,4% no acumulado do ano, respectivamente. Montadoras como Renault, Caoa Chery, Kia e Stellantis (da forma como habilitadas no programa) têm impulsionado a venda destes veículos.
O mês de setembro também marca o fim do período de mensuração de desempenho das empresas habilitadas ao Rota 2030. A tabela abaixo resume o comportamento for faixa de resultados, com os principais insights em seguida:

- > Embora todas as marcas habilitadas tenham alcançado as metas mínimas de evolução na eficiência energética definidas no programa, alguns veículos não atingiram essa meta de forma individual – o que não era compulsório.
- > Entre os três grupos avaliados (automóveis, SUVs grandes e picapes), observa-se que o percentual de veículos que alcançaram ou ultrapassaram os objetivos é maior em SUVs grandes e picapes.
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- > Entre os automóveis, quase 35% dos veículos vendidos não alcançaram as metas mínimas do Rota 2030, sendo balanceados por por outros produtos da mesma marca habilitada. 23% deles tiveram resultados que os habilitam a 1 ponto percentual de benefício de IPI e 16% ao benefício de 2 pontos percentuais de IPI. Somados ao IPI reduzido praticado hoje, reduzem bastante a incidência desse imposto nos veículos.
- > Nos SUVs grandes e picapes a parcela de veículos que não atingiu as metas do Rota 2030 é de 8% e 12%, respectivamente. Pelo mesmo motivo, é maior a parcela de veículos com benefícios de 1 e 2 pp de IPI nesses segmentos, como se pode ver pela tabela.
- > Passando a régua, aproximadamente 45% dos veículos comercializados passam a ter benefícios de IPI de 1 ou 2 pontos percentuais, o que indica, de certa forma, que os objetivos foram pouco ambiciosos, principalmente para SUVS grandes e picapes. Isso é uma boa pista de como os objetivos precisam ser definidos na próxima fase do Rota 2030.
Paulo Cardamone é CEO da Bright Consulting.
*Este artigo traz a opinião autor e não expressa, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business.
