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Por que o planejamento pode ajudar a desenvolver novos parceiros

Painel do Up Next 2023 apontou que uma estratégia bem executada ajuda a evitar problemas e até estabelecer parcerias
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Vitor Matsubara

23 mai 2023

4 minutos de leitura

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A crise dos semicondutores eclodiu com a pandemia e ainda não acabou. Apesar da melhora no cenário global, as empresas automotivas ainda estão cautelosas, ao mesmo tempo em que já correm para garantir insumos estratégicos para o futuro.

Durante o Up Next 2023, o painel “Cadeia de valor automotiva: como desenvolver novos parceiros” debateu sobre quais são os fornecimentos que as empresas mais buscam e como está o desenvolvimento do ecossistema.


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“O grande desafio é se reorganizar”, disse Ricardo Bacellar, fundador da Bacellar Advisory Boards. “A gente ainda vive os reflexos do desarranjo logístico causado pela pandemia e as consequências desse acontecimento. Os preços, em geral, subiram muito, e isso quando existe disponibilidade de produtos”.

Matthias Kaeding, diretor de compras e supply chain da Mercedes-Benz América do Sul, afirmou que, independente do cenário, as empresas precisam estar prontas para reagir.

“É claro que existem muitos desafios no momento pelo qual estamos passando, mas eles (desafios) fazem parte da nossa vida. Para mim a palavra-chave é flexibilidade e saber planejar em diferentes cenários para estar sempre preparado”.

O discurso de Matthias foi endossado por Claudio Brizon, diretor de compras da CNH Industrial para a América Latina.

“Flexibilidade, comunicação e planejamento têm sido importantes diferenciais para superar os desafios, especialmente na América do Sul. Se não unirmos forças e tivermos uma relação mais próxima entre os setores, não será possível entregar os resultados necessários”, analisou.

Planejar para não sofrer

Os painelistas concordaram que um bom planejamento é essencial para não ter surpresas desagradáveis no futuro.

“Um erro muito comum é querer medir o futuro com a régua de hoje, então é preciso estar atento aos estudos e desenvolvimentos que estão sendo feitos. A gente diz que estamos finalmente nos livrando da crise dos semicondutores, mas é importante lembrar que um carro elétrico precisa de, em média, sete vezes mais semicondutores do que um veículo movido a combustão. Então eu arrisco a dizer que, mesmo sem a pandemia, nós enfrentaríamos uma crise de semicondutores da mesma forma. É por isso que devemos estar sempre atentos e preparados para as inovações”, afirmou Bacellar.

Já Matthias, da Mercedes-Benz, ressaltou a importância de elaborar uma estratégia a longo prazo.

“Existe uma base já desenvolvida, mas a complexidade de outros componentes vai aumentar. É preciso ter um maior compromisso por parte das montadoras, mas acredito que é preciso ter um planejamento a longo prazo compartilhado com os fornecedores para assegurar que as entregas vão acontecer”. 

Localizar pode ser solução

Todas as empresas enfrentaram problemas de logística durante a pandemia – e esse problema segue causando dor de cabeça na indústria. Mesmo assim, os executivos acreditam que as adversidades renderam importantes aprendizados.

“É impossível evitar os riscos, mas acredito que aprendemos a lição. Na logística, por exemplo, nós aprendemos a não realizar todas as entregas em um único meio de transporte para não colocar em risco um lote tão grande. Quanto aos semicondutores, a saída é buscar mais alianças e maior planejamento junto aos fornecedores. E sempre que houver uma queda na demanda, é importante reforçar os estoques como medida de se preparar para o futuro”.


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Como medida de contornar eventuais problemas, Claudio, da CNHI, sugeriu que a nacionalização de componentes deveria estar em pauta na indústria automotiva.

“Claro que ainda não conseguimos fazer uma produção 100% de semicondutores na América Latina, mas é preciso identificar aquilo que faz mais sentido e começar a discutir esses assuntos. Acho que a região tem competência e é um ambiente atraente para investimentos em alguns momentos. Então uma hora é preciso começar”, ponderou.

Bacellar complementou ao dizer que o Brasil possui totais condições de atender uma demanda por mão de obra qualificada.

“Muitas vezes a gente pensa no hardware e esquece do software. O Brasil é um celeiro de desenvolvimento de profissionais em software, tanto é que há décadas exportamos talentos para o mundo inteiro. Basta retermos esses talentos no país”.