
Inaugurada em agosto de 2002 para produzir a terceira plataforma da Porsche, o SUV Cayenne, a fábrica consumiu investimento de € 127,7 milhões; e mais € 500 milhões foram gastos em pesquisa, desenvolvimento e marketing do novo produto. Mas Leipzig pagou rapidamente os acionistas, tornando-se um exemplo mundial de produtividade que catapultou os resultados da Porsche, por anos seguidos listada como uma das empresas mais rentáveis do mundo. No fim de junho passado foi comemorado o marco de 500 mil veículos produzidos em Leipzig.
E a planta não para de crescer: depois de dobrar de tamanho em 2009, com a construção de um prédio adicional de montagem de 25 mil metros quadrados e um centro logístico de 23,5 mil metros quadrados, Leipzig se prepara para outro salto, que dobrará de novo a capacidade com investimentos de mais € 500 milhões, para a construção de linhas de soldagem de carrocerias e de pintura, além da expansão da montagem final, para acomodar a produção do Macan, o novo utilitário esportivo que a Porsche lançará em 2013. Com isso, o atual número de empregados também vai dobrar, dos atuais mil para 2 mil.
PRODUÇÃO ENXUTA

Apesar da alta produtividade, em Leipzig nada lembra correria na linha de produção – a não ser a imagem dos carros esportivos, claro. Tudo ocorre suavemente, sem sobressaltos. Não há estoques, os componentes chegam em pequenos carrinhos e nunca há mais do que dois na fila para abastecer cada etapa da linha de montagem. Cada um traz peças na medida exata para cada carro, de acordo com a encomenda de cada cliente. Isso mesmo: quase todos os veículos que entram em produção já têm donos, pois foram encomendados com antecedência. Ou seja, a rentabilidade é garantida por modelos de alto valor agregado, produzidos em alta escala e com custos enxutos, cuja demanda é maior do que a oferta – é o paraíso da lucratividade.
Hoje somente a montagem final dos veículos é feita em Leipzig. Todos os dias, um trem vindo da Volkswagen em Bratislava, na Eslováquia, estaciona dentro da fábrica trazendo o número exato de carrocerias soldadas e pintadas dos Cayenne que serão montadas no dia. Outro trem vem de Hannover, na própria Alemanha, trazendo as carrocerias do Panamera, também soldadas e pintadas pela Volkswagen. Os motores vêm todos da histórica sede da Porsche em Stuttgart. Toda a logística e sistema de produção enxuto foi planejado pela Porsche Consulting, que passou a usar o exemplo de Leipzig para vender essa preciosa receita a diversas outras empresas, incluindo muitas fora do setor automotivo.
Além de fábrica, Leipzig também é um centro de recepção de clientes, onde muitos vão receber seus carros pessoalmente, em um programa completo em que podem receber aulas de pilotagem na pista de testes da Porsche, comprar roupas e acessórios, almoçar no restaurante do imponente prédio redondo e ainda visitar, no último andar, o pequeno museu com alguns dos principais carros da mítica marca alemã. Assim, além de carros, a Porsche vende emoção e sofisticação, na medida certa para manter seus cofres sempre cheios.