
Se o arco da Porsche nos últimos anos pudesse ser encaixado na Jornada do Herói, de Campbell, poderíamos afirmar que a marca acaba de entrar na fase da “Recompensa”. A empresa registrou salto de 40,6% no lucro operacional de janeiro a setembro de 2022 – o que representa € 5 bilhões.
A marca ressaltou ainda, em comunicado, que foi capaz de elevar preços e, por conseguinte, ticket médio. Assim, conseguiu se blindar dos problemas na cadeia de suprimentos.
Além disso, a Porsche prevê um 2023 forte. Isso de acordo com Lutz Meschke, CFO da empresa e favorito a assumir o posto de CEO, hoje nas mãos de Oliver Blume.
O diretor financeiro disse ainda que não se incomoda com as incertezas macroeconômicas. Meschke reforçou a capacidade que a marca de luxo tem de repassar aumentos para a base de clientes, composta por leads abastados.
IPO se mostrou um êxito para a Porsche
A Porsche parece rumar agora para o seu Caminho de Volta. Esta é a fase da Jornada do Herói na qual o protagonista tem aquela sensação de dever cumprido, de reconhecimento entre os pares.
Não à toa, embora as entregas de veículos tenham aumentado apenas 2%, para pouco mais de 221.500 veículos este ano, o câmbio favorável também tem soprado bons ventos para a companhia. “O terceiro trimestre de 2022 foi bastante desafiador do ponto de vista político, econômico e social. No entanto, conseguimos listar a Porsche com sucesso e seguir bem”, disse Meschke.
Pois é. Após uma pequena novela, uma minissérie de serviço de streaming, o IPO da Porsche saiu – e se mostrou um êxito. Não à toa, a empresa superou sua antiga controladora e se tornou a montadora mais valiosa da Europa depois da oferta pública.
Nesta sexta-feira, 28, as ações da Porsche (P911) oscilam entre € 100,1 e € 99,2. Na quinta, 27, os papéis fecharam a € 99,26.
Assim, parece que o que havia sido previsto por Oliver Blume pode mesmo se concretizar. O CEO de Porsche e VW profetizou que a oferta pública de ações aumentaria a liberdade da Porsche e, ao mesmo tempo, forneceria à Volkswagen os fundos necessários para fortalecer seu ambicioso projeto de eletrificação.
Por ora, a VW ainda enfrenta os impactos do conflito Rússia-Ucrânia e, portanto, teve seu lucro reduzido em € 1,6 bi no último trimestre. A Porsche, por sua vez, já se beneficia da independência.
Segundo o CFO da companhia, a empresa conversa com players importantes para o desenvolvimento de tecnologia de infotenimento e de condução autônoma. Google, Apple, Tencent, Alibaba e Baidu foram algumas das gigantes com as quais a Porsche já sentou à mesa.
Claro que a empresa certamente ainda passará pela Ressurreição – fase da Jornada onde nosso herói enfrenta o vilão pela última vez. Contudo, ela se vê cada vez mais próxima de encontrar o seu elixir: o sucesso absoluto e a autossuficiência.