
Para os participantes do painel “Revigorando a Cadeia de Suprimentos”, David Wong, diretor da AT Kearney, Maurício Muramoto, diretor da Deloitte, e Paulo Butori, ex-presidente e atual conselheiro do Sindipeças, enquanto a atual situação política do País não se resolver será difícil voltar a ter um cenário econômico positivo.
O painel contou com a participação do público por meio de pesquisa interativa que revelou dados interessantes como a expectativa de inflação, que para a maioria deverá ficar acima de 8% este ano (67% acreditam que ficará entre 8% e 11% e 24,6% acham que ficará acima de 11%).
Como consequência, poucos acreditam que as vendas de veículos zero-quilômetro vão superar os 2,5 milhões de unidades este ano. Para 55,7%, as vendas serão inferiores a 2 milhões de unidades. Isso, segundo a audiência, afetará igualmente montadoras e autopeças, com maior tendência de prejudicar mais as autopeças, que sofrem com margens reduzidas no fornecimento, baixa demanda e excesso de tributos na cadeia.
A pesquisa interativa mostra também que a ociosidade nas empresas do setor automotivo será alta. Para 35,3% dos participantes será inferior a 40%, para 33,7% estará entre 40% e 50%, para 19,1% entre 50% e 60% e para 11,9% ficará acima dos 60%.
Com relação ao Inovar-Auto, a maior parte do público (50,9%) estima que o programa até agora não trouxe vantagens, mas o que realmente chama a atenção é que apenas 2,5% acreditam que trouxe benefícios para as autopeças.
CAMINHOS
Os executivos participantes do painel foram unânimes na opinião de que o caminho para driblar a crise é investir no mercado de reposição. A pesquisa interativa mostrou, porém, que essa é uma realidade para apenas 36% dos presentes no auditório. “Quem trabalha só com reposição está bem”, afirma Butori. “É importante trabalhar o setor e torná-lo mais representativo dentro da empresa”, diz Muramoto.
Além de trabalhar mais pelo mercado de reposição, os executivos defendem a estratégia de ampliar as exportações como forma de vencer a crise. Para as pequenas e médias empresas, que não dispõem de expertise, uma alternativa é, segundo Muramoto, buscar trabalho conjunto com as montadoras.
Paulo Butori recorda que o Sindipeças conta com serviço de trading para dar suporte a quem não tem essa competência.
INVESTIMENTO E EMPREGO
O nível de investimentos também foi tratado no debate, uma vez que a pesquisa interativa mostrou que quase 60% do público acredita em redução. Mas, segundo os executivos convidados, a indústria deve manter o nível de investimentos, tal como votaram 32% dos espectadores do painel.
“Já caiu 60% em relação à média dos últimos anos”, diz Butori ao comentar que a previsão para este ano é de US$ 575 milhões, o que representa uma queda de 7,6% em relação a 2015.
Wong, da AT Kearney, comenta que é preciso manter-se competitivo tecnologicamente para estar em linha com a concorrência internacional. “O que não pode ocorrer é ficar para trás como na década de 1980”, afirmou Wong.
A recessão trará mais demissões na opinião de grande parte do público. Perto de 65% da audiência acredita em redução no nível de empregos no setor. Para Butori, Wong e Muramoto, o segmento de autopeças deve demitir ainda entre 5% a 10% da força de trabalho. “Pela atual situação é razoável”, avalia Wong.
Apesar do cenário obscuro, Butori se mostra otimista em relação ao futuro. “Vamos sair dessa crise e temos capacidade de reagir rapidamente porque contamos com um mercado muito forte”, afirma. “É preciso, porém, que a situação política se resolva o quanto antes”, pondera o ex-presidente do Sindipeças.
Assista à entrevista exclusiva de Paulo Butori a ABTV: