Bonecos feitos de borracha e aço em breve terão a ajuda da próxima geração de HBM (Modelo do Corpo Humano, em inglês) projetada com pormenores de grande precisão obtidos em computação gráfica e realidade virtual. Poderão se prever melhor os efeitos dos traumas graças à representação detalhada de ossos e tecidos internos e externos.
Esses HBMs avançados suportam simulações por computador de acidentes virtuais. Inicialmente cinco regiões do corpo vêm sendo estudadas: cabeça, pescoço, tórax/membros superiores, abdômen e pélvis/membros inferiores. Engenheiros automobilísticos, pesquisadores, médicos e cirurgiões colaboraram em busca de técnicas para construir reproduções mais próximas possíveis da realidade.
Os modelos se valerão de informações já obtidas em testes de colisão e de novas ferramentas computacionais, além de ressonância magnética, tomografia computadorizada e escaneamento de superfície a laser para captação de imagens. A engenharia de computação é uma grande aliada por meio de CAD (Projeto com Auxílio de Computador, em inglês) e o método de análise de elementos finitos. Este é o mesmo utilizado em simulações de acidentes que demonstraram incrível semelhança com as deformações de carroceria nos testes reais.
Objetivo é ajudar a avaliar as conseqüências a que estão sujeitos os órgãos humanos em colisões automobilísticas reais. Quatro diferentes modelos – dois masculinos e dois femininos – serão criados, de início, cobrindo uma larga faixa de similaridade ao biotipo humano. Há planos para estender a família de HBMs, desde crianças a pessoas idosas, cujos órgãos reagem de forma diferente às forças aplicadas.
O programa é coordenado, em nível mundial, por um consórcio de nove produtores de veículos: Chrysler, Ford, General Motors, Honda, Hyundai, Nissan, Renault, Peugeot-Citroën e Toyota. Dois produtores de componentes participam: Takata e TRW, fabricantes de airbags. No total, incluindo universidades, cerca de 40 dos mais renomados laboratórios e instituições ao redor do globo.
Seis centros de especialistas em corpo humano darão o suporte necessário. Vão se juntar experts em biomecânica que avaliam traumas e sequelas – fatais ou não – e modelistas em computação gráfica. O resultado esperado são HBMs reconhecidos globalmente como padrões de previsão de ferimentos com grau de detalhamento nunca antes conseguido.
A dificuldade existente até aqui era avaliar precisamente como partes internas e externas do corpo reagem às forças gravitacionais e de impacto direto geradas no habitáculo do veículo, décimos de segundos após o acidente. Novas informações registradas pelos dummies ajudarão a reprojetar também dispositivos de retenção, de cintos de segurança a bolsas infláveis, além do próprio interior do carro.
RODA VIVA
MESMO pacote visual aplicado aqui também serve, agora, para a Peugeot fabricar na França outra versão do seu compacto da série 2. Estranho é o imbróglio de nomes. No Brasil se chama 207; na Argentina e México, 207 Compact; na Europa, 206+ (pronuncia-se 206 plus). Alguma coisa não funciona bem no marketing da empresa ao batizar carros…
DEPOIS da coreana Ssangyong, a sueca Saab também está em recuperação judicial (antiga concordata). Na história do automóvel, só a Studebaker conseguiu continuar operando, pagar as contas e se safar desse regime. Lado mais amargo da atual crise mundial levará ao provável desaparecimento de outras marcas e consolidação em grandes grupos.
RETOQUES na parte frontal, novas rodas, frisos e um motor 2-litros mais potente (140 cv/etanol) no Vectra demonstram que nessa faixa do mercado, com 14 concorrentes, tem-se de reagir logo. Desempenho, de fato, ficou melhor, alinhando-se aos principais rivais. A Chevrolet não caiu na tentação fácil de apresentá-lo como ano-modelo 2010.
UM DIA todos os carros terão o sistema de frenagem automática do Volvo XC60 para evitar ou minimizar pequenas batidas. Dispositivo funciona até 30 km/h e, de forma inteligente, permite pequenos desvios ao volante, sem entrar em ação desnecessariamente. Estilo desse crossover 4×4 é atraente. Desempenho do magnífico 6-cilindros em linha transversal turbo/285 cv equivale ao de um V8.
FIAT promoveu breve avaliação em pista de seu bugue elétrico FCC II. O carro-show, apresentado no último Salão do Automóvel em São Paulo, tem aceleração relativamente rápida, para os seus quase 1.000 kg de massa, graças ao torque de 23 kgf.m quase instantâneo. A fábrica de Betim (MG) investiu R$ 1,5 milhão nesse projeto estratégico de veículo de imagem.
Alta Roda nº 513 – 24 de fevereiro de 2009
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