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Giovanna Riato, AB
A prefeitura de São Paulo iniciou nesta terça-feira, 20, testes com óleo diesel obtido a partir de cana-de-açúcar em ônibus municipais. Para a avaliação serão utilizados seis veículos que atuam nas mesmas rotas. Três deles são abastecidos apenas com combustível convencional e os outros três receberão 10% do diesel de cana.
Durante os seis meses de testes serão avaliados o consumo dos combustíveis e lubrificantes, desgastes nos sistemas, emissões e desempenho. As expectativas em relação à aplicação do diesel de cana são grandes. A Mercedes-Benz, parceira do projeto, afirma ter registrado redução de 9% nas emissões de material particulado nos testes com a mistura do combustível com o diesel normal.
Outra vantagem apontada pela Amyris, detentora da tecnologia para produção do combustível verde, é a redução nas emissões de CO2. “O diesel de cana tem as mesmas características ambientais do etanol. Com um ciclo fechado em que o plantio consome os gases causadores do efeito estufa”, aponta Adilson Liebsch, gerente de marketing e produto da companhia. Contabilizada dessa forma, a redução dos gases do efeito estufa chega a 90% com o uso do combustível, segundo a empresa.
Produção
A Amyris planeja iniciar em 2012 a produção do diesel de cana em larga escala. A empresa firmou parceria com a usina de São Martinho, onde instalará a primeira planta. A partir daí a companhia prevê a multiplicação das fábricas em diversas usinas e avanço do produto no mercado.
O preço deve ficar competitivo com os combustíveis fósseis. “Um dos grandes componentes do custo é a matéria-prima e a nossa é barata, com cultivo muito bem desenvolvido no Brasil”, destaca Liebsch.
São Paulo
A solução parece sob medida para São Paulo. A cidade corre para cumprir as metas da lei municipal de mudanças climáticas, de 2009, que prevê a redução do uso de combustíveis fósseis até que eles sejam completamente eliminados em 2018. “O etanol também está em teste em dois veículos do município. No próximo ano devemos aumentar este número para 200. O objetivo é diversificar as fontes energéticas para atingir nossa meta”, explica Eduardo Jorge, secretário do verde e meio ambiente da cidade.
A ampliação das linhas do metrô e a recuperação da rede de tróleibus são outras estratégias para chegar ao objetivo. A prefeitura reconhece como uma das grandes vantagens do novo diesel que ele dispensa a adaptação dos veículos e motores. “Buscamos sustentabilidade para o nosso sistema de transportes e a nova alternativa permite que utilizemos a nossa capacidade instalada”, destaca Marcelo Branco, secretários dos transportes.
Durante a cerimônia de abastecimento do primeiro ônibus com o combustível o prefeito Gilberto Kassab afirmou que pretende, até o final da gestão, ampliar o uso de combustíveis renováveis a 14% na frota municipal. Estolcomo, na Suécia, cidade que utiliza 80% de etanol no abastecimento dos veículos, serve de exemplo.

